29 de jun. de 2012

Metallica: Discografia

Olá! Devido ao pedido de um anônimo, hoje teremos a discografia de estúdio da banda Metallica postada aqui, com três opções de download.

Metallica


Biografia

Metallica é uma banda de Thrash Metal fundada em 1981 em Los Angeles, Califórnia e fazem parte do denominado Big Four Of Thrash juntamente com Megadeth, Slayer e Anthrax.


Lars Ulrich, que tinha se mudado da Dinamarca aos Estados Unidos na companhia do pai, um músico de Jazz, estava muito empolgado com a New Wave Of British Metal e bandas como Iron Maiden e Diamond Head, levando estes conceitos para os EUA. Lá ele conheceu James Hetfield e Dave Mustaine, e chamaram também o baixista Ron McGovney. Em 1982, assistindo a um show dos Trauma, eles vêem Cliff Burton, e o chamam para substituir Ron. Cliff aceita e aí nasce o Metallica com sua primeira demo, Hit the Lights lançada para a coletânea Metal Massacre. No começo de 1983, expulsam Dave por problemas com álcool e drogas. Kirk Hammett — então guitarrista dos Exodus — foi chamado para o substituir.

Primeiros Anos

O nome surgiu quando o produtor musical de Heavy Metal Ron Quintana pediu à Lars para ajudá-lo a escolher um nome para sua nova revista, que destinava-se a promover bandas de Metal dos Estados Unidos e Reino Unido. Entre uma lista de Quintana de vários nomes que incluía “Metallica”.

A música era inspirada em outras bandas como Led Zeppelin, Black Sabbath, Motörhead, Diamond Head, Saxon, Thin Lizzy, Iron Maiden, Venom e Mercyful Fate, entre outras, em sua maioria britânicas. Outras influência incluíam bandas de Punk Rock como Misfits, Zeroption e The Ramones, e o Hardcore Punk do Discharge.

(continue lendo aqui)

Discografia

Kill 'Em All (1983)

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Ride The Lightning (1984)

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Master Of Puppets (1986)

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...And Justice For All (1988)

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Metallica (Black Album) (1991)

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Load (1996)

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ReLoad (1997)

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Garage Inc (1998)

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 St. Anger (2003)

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Death Magnetic (2008)

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Links atualizados em: 27/01/2013

11 de jun. de 2012

Postagem Especial de Dia dos Namorados - Conto Ilustrado - Imzadi


Olá!

Esse ano, venho apresentar para o dia dos namorados um projeto mais otimista que aquele do ano passado, e uma nova parceria entre mim e o meu amigo desenhista, o Jeff! (contato: meeks.wolowitz@gmail.com - nossas colaborações passadas são essa e essa).

Claro, não esperem de mim algum romance barato ou comum. A ideia inicial foi do meu amigo Jeff; os nomes dos protagonistas foram tirados de duas divindades da mitologia japonesa, e fomos criando e desenvolvendo a história livremente.

E ela é um pouco sci-fi. Estejam avisados! Leiam, apreciem as ilustrações, e esperarei comentários!

Imzadi (*)
Mais Um Projeto Estranho Arquitetado por Duas Mentes Insanas




Izanagi escondeu o rosto nas mãos. Já fazia dois dias que encarava aquela situação, e ainda não fazia à menor ideia de qual era o caminho certo a percorrer.

Izanami jazia imóvel em um dos quartos próximos, e a única coisa que anunciava que ainda existia era seu peito subindo e descendo lentamente.

Izanagi aproximou-se do quarto onde ela estava, e ficou na porta, observando-a, até ter coragem para entrar e a olhar de perto.

Izanami estava em sua forma humana, tão bela como sempre. Os cabelos pretos se espalhavam pelo travesseiro, e os olhos estavam fechados em um semblante de paz. Izanagi observou sua amada, sua irmã, e acariciou de leve seus cabelos.

Por um instante, Izanagi permitiu-se pensar em seu filho, morto. Não sentia muito por ele; mal respirara e já deixara esse mundo. E quase levara Izanami junto, pois o coma onde ela se encontrava após o fim do parto parecia terrivelmente permanente.

Quando pensava nisso, achava melhor que seu filho estivesse morto. Teria sido capaz de matar a criança em um acesso de fúria se ela estivesse bem e Izanami não.


Com um suspiro de resignação, Izanagi pensou em seu planeta natal, e o que estava fazendo na Terra, para a constatação atingi-lo como um murro em seguida: porque ele gostava.

Adorava esse lugar, a quietude tão maravilhosa que essa ilha lhe proporcionada, a vida em paz com 
Izanami, sua adorada, a definição mais próxima de perfeição que Izanagi jamais pudera chegar, uma definição mais precisa que qualquer um dos sábios anciões de seu planeta poderia um dia formar.

Cansado de pensar, Izanagi levantou-se com a intenção de ir para fora. Ao fazê-lo, assumiu sua verdadeira forma; não é como se houvesse mais alguém na ilha, então podia retirar seu disfarce humano. Sentiu sua percepção do ambiente melhorar, embora suas garras ficassem um pouco mais quentes por conta do sol.

Começou novamente a pensar em Izanami, mas logo afastou o pensamento. Parecia que não conseguiria ficar perto dela sem tentar penetrar em sua mente novamente, mas seu poder estava esgotado; precisaria de mais um tempo antes de tentar pensar em entrar no caos que a mente de Izanami estava.

X_X_X

 Izanami fechou os olhos novamente, fazendo tanta pressão em suas pálpebras grossas que um espasmo de dor atravessou seu rosto.

Permaneceu de olhos fechados por segundos, minutos, semanas – como poderia saber? – até abri-los novamente, e ver que não havia mudança nenhuma em sua situação.

Ainda estava perdida. Ainda estava em um lugar desconhecido, sem idéia de como havia chegado lá.

Endireitou-se, e começou a caminhar. Tudo era escuro e desfocado, como um borrão; ela sabia que havia alguma coisa importante que precisava lembrar, mas simplesmente não conseguia. Mas ela precisava lembrar...

Subitamente, seus pensamentos foram interrompidos pela visão de um homem a sua frente; ele parecia ser um humano, cabelos pretos e longos, roupas indígenas. Ela aproximou-se dele e perguntou:

- Onde eu estou? Quem é você? Acho que eu me perdi. Você pode dizer onde estou?

O índio virou o rosto em sua direção, e ela sentiu um arrepio passar por todo o seu corpo quando viu aqueles olhos cruéis focados em sua direção, e um sorriso se formando em seus lábios. Não era um sorriso amigável; mais parecia que o homem era um lobo que encarava uma presa indefesa à sua frente.

- Minha querida Izanami, quer dizer que você não sabe?

Izanami abriu a boca chocada ao ouvir seu nome, e foi nesse instante que reparou que não estava com sua forma humana; oras, por que estava sendo tão descuidada assim? E se alguém a visse?

Mas sua irritação era maior que sua preocupação e ela logo perguntou, em um tom de voz exigente que costumava usar quando se sentia ultrajada:

- Como você sabe meu nome?

Izanami esperou uma resposta, mas o homem continuou calado. Quando ela pensou em repetir a pergunta, o homem caminhou em sua direção de um modo ameaçador.

- Não use esse tom comigo, Izanami. Você não intimida a mim. Ainda mais do jeito que você está. Mortos não me assustam.

- Mortos? – Izanami gritou, em choque – Quem é você? O que quis dizer com isso?

- Você não está em posição de exigir nada, Izanami. Você está morta.

Izanami ofegou em choque, e sua expressão personificou-se em uma máscara de puro ódio. Os olhos largos e geralmente opacos tinham uma determinação tão forte que assustaria qualquer um, exceto o homem a sua frente. Concentrou sua mente da melhor maneira possível para tentar ler os pensamentos do homem, fazendo o topo de sua antena brilhar furiosamente, porém tudo o que recebeu foi um imenso vazio, como se a mente do homem fosse uma parede branca, e uma resposta debochada:

- Seus poderes telecinéticos e telepáticos não funcionam comigo, Izanami, não perca o seu tempo. Até porque você está morta, e acho que esse poder não funciona muito bem em mortos, mesmo os de sua raça.

- Eu não estou morta. – Izanami disse, tentando controlar a voz.

- É claro que está! Izanagi a assassinou enquanto você dormia. Não se lembra disso? – o homem disse, seus olhos parecendo ainda mais cruéis, mesmo que o tom fosse suave.

- Isso é mentira! – ela gritou – Izanagi nunca me mataria!

- Por quê? Ele já matou antes, Izanami. Quem mata uma vez, mata mais.

- Ele já matou antes, mas foi por mim! Ele nunca faria isso comigo, e...

- Por quê? – a voz de outro homem foi ouvida, e Izanami olhou para trás, para ver um homem praticamente igual a aquele com que estivera falando se aproximar – Por que ele é do seu planeta? Por que ele é seu amante? Por que ele é seu irmão? Você é tão tola, Izanami.

- E é por ser tão tola assim que está agora morta. – o primeiro homem disse.

- É mentira! Vocês são loucos! – Izanami berrou.

- Loucos? Você é quem está louca, minha cara. – um terceiro homem, também praticamente idêntico se aproximara – Você está morta, assim como seu filho.

- Meu filho... – Izanami disse em tom baixo, sentindo que seu filho não mais existia pela primeira vez– O que vocês fizeram com o meu filho?

- Izanagi fez – o terceiro homem disse. – Você não lembra quando ele o matou, e lhe matou?

- Eu não estou morta! – Izanami gritou, mas dessa vez não havia convicção em sua voz, apenas um terrível pavor de estar errada.

- Talvez – o primeiro homem disse.

- Talvez você apenas esteja louca. – o segundo disse.

- O que, sinceramente, parece dar na mesma, não é minha querida? – o terceiro completou.


Izanami levou suas garras à cabeça e cobriu sua antena, para que sua mente bloqueasse qualquer ruído externo, e fechou os olhos.

Ao abri-los novamente, estava sozinha.

- O que está acontecendo comigo? – sussurrou para o nada, sem esperar ter resposta alguma dessa vez.

X_X_X

Izanagi sentou-se na beirada da cama de Izanami, já sob sua forma natural. Com suas garras, tocou de leve os cabelos então humanos de sua amada, e resolveu concentrar-se: era hora de tentar novamente entrar nos pensamentos de Izanami. Sua antena começou a brilhar, e ele cerrou as pálpebras.



X_X_X

Izanami alternava entre andar e correr, naquele lugar vazio e escuro, pensando que aquilo realmente não se parecia com nada. No começo, pensava que estava por alguma razão em seu planeta, mas agora tinha absolutamente certeza que não.

No meio de uma das corridas, tropeçou e caiu no chão, tendo dificuldade para se levantar.

- Quer ajuda, Izanami? – uma voz perguntou, e antes que ela pudesse responder se viu sendo erguida sem dificuldades, como se não pesasse nada.

Ao virar para quem a levantara do chão, sufocou um grito: havia dois humanos lá. Porém, eram diferentes; não mais se pareciam com indígenas. Um era negro, o outro possuía um aspecto oriental, como o disfarce humano que ela e Izanagi costumavam usar. Usavam as mesmas roupas que os humanos que encontrara antes.

- O que vocês querem de novo? – sibilou, em um tom irritado.

- Quanta agressividade, Izanami! Só queremos o seu bem. – um deles disse.

- Isso mesmo! Queremos que pare de lutar e se entregue. – o outro comentou.

- Eu morreria antes de me entregar. – ela anunciou em uma voz que teria feito fileiras de guerreiros de seu planeta recuarem.

O humano com pele negra soltou uma risada cruel, e disse então, com os olhos brilhantes:

- Você já está morta, Izanami.

- Tudo o que precisa fazer – disse o outro – É aceitar isso. Só então poderemos lhe ajudar.

- Eu nunca aceitaria isso! – as palavras de Izanami eram duras, mas não se podia dizer o mesmo da certeza de sua voz.

- Oh, mesmo? – o humano com aspecto oriental debochou.

Izanami olhou para os lados, perdida, e tentou novamente ler os pensamentos deles, sem sucesso.

- Sem poderes mentais para mortos, Izanami. – um deles disse, mas ela não percebeu qual.

Nesse momento, pela primeira vez, ela duvidou de si mesma. E se ela estivesse...

- Você está. – aquele que estava mais próximo dela sussurrou, mas ela entendeu perfeitamente.

E se ela realmente estivesse morta, isso dizia então que Izanagi e seu filho...

- Ele matou a ambos. – disse o outro, aproximando-se dela.

- Então... então... – ela falou, a voz quebrando e incapaz de formar novas palavras.

- Izanami, venha conosco. Podemos ajudá-la. – as palavras eram extremamente gentis, mas Izanami sentiu medo pela expressão cruel que o outro apresentava. Mas como não se via com mais com escolhas, 
começou a levantar-se.

- Isso querida, venha conosco! – o outro sorriu largamente.

- IZANAMI, NÃO! – uma voz berrou, e ela virou a cabeça na direção ao som, para ver Izanagi, que igual a si mesma, estava sem a sua forma humana.

- Izanagi! Onde nós estamos? Ela disse indo em sua direção, porém os homens a seguraram, e ela teve certeza que aquela força simplesmente não podia ser humana.

- Ele é uma alucinação sua, Izanami. Liberte-se disso. – um deles disse, sua voz um silvo irritado.

- Não Izanami, não ouça ele! –Izanagi gritou – Nós estamos em sua mente, não deixe que eles a façam desistir!

- Na minha mente? Izanagi, isso não se parece em nada com minha mente, você deveria saber disso. – disse ela, descrente.

- Izanami, você está em coma! Você ficou em coma após perder o nosso filho, não dê ouvidos a eles e...

- Ele a tenta culpar pela morte do filho que ele mesmo matou, Izanami. Como poderia isso ser verdadeiro? 
– o humano oriental gritou.

-É MENTIRA! Izanami, lute, não deixe que eles a dominem, Izanami!

O humano com aspecto oriental olhou para Izanagi com ódio supremo, e um segundo depois, Izanami se viu caindo da cadeira ao lado da cama de Izanami, sua mente recebendo um golpe tão intenso que o derrubara no chão.

Espumando de raiva, ele andou para fora do quarto. Estava mentalmente esgotado, mas esperaria no 
máximo cinco minutos antes de tentar novamente; tempo era um luxo que ele não dispunha.

X_X_X

- Está vendo como ele não era real, Izanami? Deixou-lhe sozinha de novo! – um dos homens zombou.

- Ele não me deixou sozinha, vocês o expulsaram! – ela vociferou, tentando novamente se soltar, sem sucesso.

- Agora Izanami, não há mais tempo a perder. Você vem conosco, agora. – o homem negro sorriu de um jeito sinistro para ela, e a arrastou sem dificuldade alguma.

- Você não pode ser humano! – ela disse incrédula – Humanos não conseguiriam me arrastar assim!

- É por que você está morta, Izanami – o homem oriental disse – Se não fossemos homens, o que mais poderíamos ser?

- Demônios – uma voz vinda da frente disse desafiadora – Demônios querendo fazer com que você desista, 
Izanami. Não faça isso!

Izanami olhou para Izanagi com supremo alívio, antes de falar:

- Demônios? Mas... como?

- Isso não importa – os dois homens tentaram puxá-la para frente, mas a visão de Izanagi lhe dera novas forças, e ela soltou-se deles com um empurrão, lançando-os longe, e correu em direção a Izanagi, tocando suas garras juntas, em um sinal de adoração.

 - Como eu saio daqui, meu amado? – ela disse, em seu tom de voz mais suave que tinha usado até então – Como eu vim parar aqui? Como posso acreditar que é você mesmo?

- Tenho um jeito de fazê-la acreditar, minha amada. – disse Izanagi, e segundos depois, sua antena começou a brilhar e uma imagem começou a flutuar em sua frente. Não demorou em Izanami perceber que era uma lembrança projetada de Izanagi.

- Eu achei esse lugar fantástico, Izanami. Acho que poderíamos viver aqui para sempre. –disse Izanagi, encarando o mar a sua frente com sua irmã ao lado.

- Eu achei lindíssimo também esse lugar, o... como é que os terráqueos o chamam? – perguntou Izanami.

- Japão. Estamos próximos ao Japão, mas essa é uma ilha longe e considerada perigosa, por isso está sempre deserta. Estamos sozinhos aqui, minha amada.

- Mas e se aparecer algum humano e nos ver, Izanagi? Eles saberiam na hora que não somos daqui e a notícia logo se esperaria.

- Izanami, enquanto eu estudava os hábitos terrestres, antes de virmos para cá, o que eu mais notei é quão solitários e descrentes esses seres são. Eles não compartilham a mente; eles não confiam uns nos outros. Se algum deles conseguisse provas do que somos, ainda assim, haveria quem não acreditaria nele. Pode um ganhar a batalha, mas ainda haverá milhares lutando a guerra. – Izanagi disse, tranquilamente.

- Eu entendo, mas ainda assim acho arriscado. Não deveríamos nos arriscar a sermos pegos novamente.

- Eu sabia que você iria dizer isso. Por isso, andei treinando uma técnica. – ao terminar essas palavras, a antena de Izanagi começou a brilhar, e, segundos depois, no lugar de Izanami, havia um rapaz de olhos ligeiramente puxados, cabelos azuis e espetados, curtos, e um corpo definitivamente humano.

- Como fez isso? – Izanami perguntou estupefata.

- É fácil, minha amada. Tudo o que você precisa fazer é se concentrar ao máximo em uma imagem, aquela que você queira se tornar, e concentrar todos os seus poderes telecinéticos e telepáticos nela. Eu poderia virar aquilo – Izanami apontou para uma tartaruga na beira da praia – Se eu quisesse. 
Tente você, vamos!

- Eu nunca me metamorfoseei antes, Izanagi! – disse ela, horrorizada.

- Tente, amada. Não é difícil. Mas lembre-se de se concentrar apenas em uma imagem. Tente alguma imagem como as características da minha, mesma cor de pele e formato de olhos, porque é natural para os povos dessa região.

- Eu tentarei. – disse ela, concentrando todo seu poder e energia no pensamento. Ao ouvir uma exclamação de Izanagi, abriu os olhos.

Ao fazê-lo, notou que agora era uma mulher jovem, de cabelos pretos e longos, compleição delicada. Porém, uma das suas mãos ainda não estava na forma humana, o que fez Izanagi rir.

- Com o tempo, você aprende, amada. Agora, deixe-me tentar algo que os casais de humanos costumam fazer para expressar afeto, e sempre tive curiosidade de fazer.

Sem esperar uma resposta, Izanagi chegou até ela e colocou a língua em sua boca, movimentando a boca sobre a de Izanami, delicadamente. Ela achou o gesto estranho, mas de maneira alguma ruim, e logo retribuiu ao que depois descobriu ser chamado de beijo.

Izanami ofegou quando a janela se fechou, mas ouviu a voz de um dos homens dizer:

- Essa é uma lembrança sua, Izanami! Ele está mexendo em seus pensamentos para te confundir!

 - Cale-se demônio! – Izanagi rugiu, mas quando viu a incerteza que Izanami ainda tinha, suspirou e resolveu projetar outra lembrança.



Izanagi sempre foi um guerreiro dedicado e fiel a causa, mas nesse momento, o que mais sentiu de seu planeta foi ódio. Ódio por aquela guerra sem motivos, ódio por levar uma causa doentia acima de todos, ódio por estar destruindo tudo o que levaram séculos para conquistar.

E ódio porque essa guerra sem motivos poderia destruir a coisa mais importante da vida de Izanagi: sua irmã Izanami.

Mas afastou esse pensamento temerário por uma emoção mais desejável no momento: ódio. Estava em um campo de batalha afinal, e não podia perder tempo com sentimentalismo.

Explorando sua habilidade de se mover na água e a inabilidade do inimigo, avançou para cima de mais alguns, matando tantos quanto conseguia, sentindo um prazer perverso quando o sangue deles 
se misturava à água. O cativeiro de Izanami não estava tão longe.

Após avançar alguns metros, e o desvio de sua tropa e de alguns inimigos, Izanagi viu-se a frente do cativeiro que Izanami lhe transmitiu mentalmente, antes da transmissão ser subitamente interrompida. Segundos depois, ele entrou, sem levar em conta os riscos, Izanami sendo o único pensamento de sua mente.

Ao entrar, deu-se conta de três coisas: Izanami amarrada a uma das paredes, um dos inimigos a frente dela, e uma arma, em cima de um móvel e distante de ambos.

Durante dois segundos, nenhum deles se mexeu, mas em seguida, ambos saltaram em direção ao móvel onde a arma – uma espada – estava, um derrubando o outro.

Logo, embrenharam-se em uma luta furiosa, de golpes desleais e cruéis. Izanagi estava exausto, o inimigo era mais forte e estava vencendo; mas um grito de pavor vindo de Izanami lhe reacendeu o animo, fazendo seus socos e chutes serem mais vigorosos, e a falta de habilidade de seu inimigo em lutar na água lhe fez alcançar a liderança da luta.

Quando ainda batalham furiosamente, bateram no móvel e fizeram a espada cair. Com dificuldade, Izanagi segurou a espada entre suas garras escorregadias, e com toda a força que possuía, atravessou o dorso do inimigo com ela, que soltou um gemido de agonia intenso, e em seguida, seu corpo inerte flutuou na água.

Izanagi retirou a espada de dentro do corpo morto, trazendo consigo o máximo de sangue que pode. Aproximou-se então de Izanami, e esfregou o sangue em cada uma de suas amarras, que se derreteram como mágica. Izanagi então a abraçou em seguida, porém sem largar a espada.

- Eu sabia que você viria para mim – ela sussurrou. – mesmo quando eles diziam que você já havia desistido de mim, que me abandonara, mesmo quando me confundiram, eu sabia que você viria.

- Eu sempre irei vir minha amada. Por ti, sempre. Eu matei, e mataria de novo por você. Eu sempre virei amada, nunca se esqueça disso.

- Nunca me esquecerei – ela disse em sua voz alegre, apesar das torturas que sofrera anteriormente – Nunca, meu amado.

 - Você esqueceu minha amada – disse Izanagi, tristemente, quando a lembrança se apagou – Mas não a culpo.

- Então, realmente é você – a voz de Izanami disse, em um alívio imenso.

- Sim, minha amada. Agora, respondendo as suas perguntas anteriores: você veio parar aqui depois que perdeu nosso filho. Por algum motivo que ainda não compreendi bem, seu corpo entrou em uma espécie de coma.

- Nosso filho realmente está morto? – Izanami disse, sua expressão pesarosa.

- Infelizmente, Izanami. Não houve meios de salvá-lo. Mas agora, você precisa concentrar-se em sair daqui. Para isso, você deve derrotar todos os demônios – sim, esses humanos todos são demônios – até o último. Então, sua consciência estará pronta para voltar. Não acredite neles, lute com eles, e principalmente, amada, não desista.

- Já chega – o homem de pele negra apareceu novamente perto deles, e com uma força imensa, expulsou Izanagi novamente da mente de Izanami.

Dessa vez, ele não caíra ao chão, porém sentiu-se esgotado demais; não conseguiria entrar na mente dele novamente tão cedo. Tudo o que podia fazer é esperar que ela conseguisse sair das trevas sozinha.

X_X_X

- Saiam de perto de mim – Izanami disse, enojada.

- Nunca, até você se convencer de que está morta. – um novo demônio havia aparecido; esse tinha feições indígenas, como o primeiro.

- Eu não estou morta. – ela disse, agora convicta.

- Está morta, e uma morta louca. – mais um demônio a cercou.

- Prove-me. – ela disse desafiadora.

Um dos demônios ergueu o braço de Izanami com força e o levou suas garras em direção ao próprio rosto, fazendo com elas o atravessassem.

- Vê? Você não tem corpo físico, está morta.

- Eu não tenho corpo físico porque estou na minha mente, imbecil. Você é uma farsa. Eu não acredito em você.

O rosto do homem tornou-se pálido, e ao notar isso, ela reiterou sua declaração:

- Você é uma farsa. Eu estou viva. Você não é nada.

 O homem foi ficando mais e mais branco, até tornar-se transparente, e então desaparecer.

Izanami sorriu; era um sorriso cruel que já fizera muitos seres ficarem de joelhos no chão e pedirem misericórdia – Mais alguém quer me convencer de que estou morta?

Mais alguns demônios se aproximaram, mas ela notou que agora, após a desintegração de seu colega, todos pareciam hesitantes.

Isso seria muito divertido.

X_X_X

Apenas algumas horas se passaram, mas a Izanagi, parecia que haviam sido dias. Ele rodava o quarto, andando em círculos, com agora sua forma humana, e voltava para a cabeceira para observar Izanami e ver se havia alguma mudança, seu rosto estava tão sereno como antes, mas não havia indicio algum de mudança.

 Quando deixava de disciplinar sua mente por alguns segundos, parecia ver ela acordar e sorrir para ele, para a visão desmanchar-se quando organizava os pensamentos;  foi por isso que achou que estava sofrendo mais uma alucinação ao vê-la acordar, e novamente, organizou seus pensamentos – fatos, não ilusões, mente sonhadora.

Porém, mesmo após fazer isso, Izanami continuara olhando para ele e sorrindo, e ele levara alguns minutos para entender que ela realmente voltara.

- Izanami! – ele gritou, e correu para a cama, abraçando-a e dando-lhe um beijo apaixonado, alguns de seus gestos favoritos em um corpo humano – Eu sabia que você conseguiria!

- Eu quase não consegui, Izanagi – ela disse, parecendo exausta, olhando para ele – Quase não consegui. Porém, se eu estivesse a ponto de desistir, eu me concentrava em você, e minhas forças se renovavam.

- Sempre virei para você, amada. – ele sussurrou, beijando os cabelos dela.

- E eu para você, amado. – ela disse, abraçando-o com força.

- Por que nem as forças do Império, as forças do nosso ou desse planeta, das sombras ou da morte poderiam nos afastar. Matei e mataria por ti, minha amada; morreria por ti.

Izanami não respondeu, mas beijou-o novamente, juntando sua testa com a dele e sorrindo; ele não precisava de palavras para saber que ela sentia o mesmo.


FIM

*"Imzadi" é uma palavra vinda de Star Trek (Jornada nas Estrelas). Na série Star Trek: The Next Generation, a personagem Deanna Troi chama o Comandante William Riker de "imzadi" várias vezes. É uma palavra betazóide (na série, betazóides são seres humanóides originários do planeta Betazed), pronunciada como em-ZAH-dee e significa, em geral, amado/amada. (my beloved). Usei essa palavra porque tanto eu quanto meu sócio somos péssimos para títulos.

P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e/ou com o meu parceiro artístico, o Jeff, e quando eu e/ou ele liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

5 de jun. de 2012

Poema - Flaming Dove (Tribute)


Olá pessoas!

Como vocês sabem, eu sou uma grande fã de David Bowie, e hoje é um dia que, como fã, eu não poderia deixar passar em branco; no dia de hoje, o álbum "The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars" completa 40 anos, assim como o emblemático personagem Ziggy Stardust, meu favorito.

Meu amigo Jeff (contato: meeks.wolowitz@gmail.com)  amavelmente me perguntou se eu iria fazer uma homenagem aqui e me ofereceu o lindo desenho do Ziggy Stardust que está logo abaixo. Minha singela homenagem é um poema sem rimas (como a maioria dos meus, não sei porque os chamo poemas) inspirado, principalmente, na música "Rock 'n' Roll Suicide", bastante medíocre, mas não quis deixar a data passar em branco. O título foi tirado de uma parte da letra de "Soul Love". Aqui fica minha singela homenagem a esse personagem, que mudou minha vida:

Flaming Dove

Um cigarro escorregando pelos seus dedos,
E um par de lágrimas escorregando de seus olhos inchados;
A fumaça lhe apazigua, mas não lhe permite esquecer seus excessos; tudo o que queria era esquecer,
Mas era jovem demais para isso.

O cigarro acaba, porém a agonia não;
Seus olhos continuam inchados, e a cocaína ainda está em seu bolso;
Conforme anda pela rua escura, pensa que a luz do sol seria bem vinda,
Mas está velho e ranzinza demais para se sentir melhor com isso.

O suicida observa a ponte a sua frente e observa o céu com inúmeras estrelas,
Pensando que em um passo a dor estará resolvida, e seu cérebro finalmente estará bem.
Sendo jovem ou sendo velho,
A solução seria igualmente bem vinda.

Mas a distância, porém ele consegue escutar o rádio vindo de um dos prédios,
E a voz que grita tão desesperadamente que ele não está sozinho em sua dor,
Que ele será ajudado, que é maravilhoso.
“Gimme your hands”, a música pede.

Em um gesto instintivo, o suicida estende as mãos para frente, para agarrar algo inexistente,
Um passo entre a vida e a morte,
Entre o vazio e arte,
Entre o nada e a esperança de um algo;
Há mil perguntas implícitas em sua mente.

Conforme a música acaba, a voz permanece em sua cabeça,
E uma decisão é tomada;
Ele dá um passo para trás e começa a voltar para sua casa,
Não mais um suicida do rock ‘n’ roll,
Apenas um Ziggy começando sua ascensão com esperanças renovadas por aquela pequena voz em sua cabeça que insistia em repetir,
“You’re not alone”. 


P.S.: se você gostou do poema e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

11 de mai. de 2012

Conto - Break Away Into The Light

Olá pessoal!
Depois de tanto tempo, venho aqui com um novo conto, Break Away Into The Light (título tirado da música 'Bad', do U2, que aliás, escutei o tempo todo enquanto escrevia isso. Se quiserem ouvir enquanto estiverem lendo, recomendo. Link dela no Youtube ou no mediafire).
Opiniões são sempre bem vindas, fiquem a vontade! (:


Break Away Into The Light


Seis horas. Seis horas da manhã, e o maldito despertador tocou, sendo silenciado por uma mão furiosa alguns segundos depois. Tentou dormir novamente, enfiando a cabeça debaixo do travesseiro, sem sucesso algum. Resolveu levantar-se antes que realmente se atrasasse. Como fazia todos os dias.
Com um mau humor matinal previsível, dirigiu-se ao banheiro. Depois que saiu do banheiro, alguns minutos antes de sair para trabalhar, ficou alguns segundos observando o movimento lerdo da rua pela janela do prédio.
Pensou, como fazia todas as manhãs, que aquela maldita grade de proteção era uma ideia tão ruim. Daria um trabalho imenso arrancá-la. Se ela não estivesse ali, talvez então pudesse por em prática, talvez então pudesse...
Não, pensou com uma pontada de amargura, Sou covarde demais mesmo para isso.
E resolveu sair, antes que realmente se atrasasse.
***
Isso parece barro, pensou, olhando para a comida comprado por um preço modesto alguns minutos atrás, em um restaurante simples. Pior do que barro, isto não tem gosto de nada.
Colocou a comida de lado, incapaz de ver-se digerindo aquela massa intragável, e resolveu comprar um doce, para saciar a fome até de tarde.
Não havia chocolates naquele restaurante (que surpresa, pensou com irritação), então comprou um doce barato. Foi só quando colocou-o na boca que conseguiu lembrar-se dele. Não do nome, mas do sabor. Sua infância inteira passou na sua cabeça em segundos; brincando, correndo, conversando com colegas de escola e comprando um desses doces na hora do intervalo, enquanto esperava as próximas aulas.
Como pudera se esquecer desse doce? Do quanto o amava, de que tê-lo era uma especial de ritual diário para ele e colegas?
Como é que pudera esquecer tantas coisas a respeito de si mesmo?
Acho que eu só cresci, pensou amargamente. Mas deixou a amargura para depois, e engoliu o resto do doce, que tinha sabor de toda a sua feliz infância.
No fim, o restaurante barato, apesar de ter uma comida indigerível, lhe fizera algo bom. Lhe trouxera lembranças incrivelmente queridas.
E por apenas cinquenta centavos!
***
Maldita fila, pensava enquanto estava esperando o ônibus. Devia estar ali há pelo menos meia hora, como fazia todos os dias.
Realmente, parecia nunca aprender que se saísse naquele horário, teria que esperar, independente do dia.
Engraçado como não mudamos mesmo sabendo que estamos fazendo mal a nós mesmos, pensou com um tom de tristeza. Tristeza porque essas auto-referências começavam a ficar irritantes.
Já tinha noção suficiente da pessoa deprimente que era. Não precisava lembrar-se disso todo instante.
- Desculpe, mas que horas são? – alguém lhe perguntou, pegando-lhe de surpresa.
-  Sete e quarenta e cinco – respondeu, quase gaguejando.
- Ah, agradeço! Estou sem relógio e precisava saber, acho que vou a pé para casa.
E a pessoa saiu, sem dizer outra palavra, deixando-lhe com um ar ainda mais confuso e perdido.
Qual foi a última vez que conversara de verdade com alguém? Qual fora a última vez que sorrira verdadeiramente e que contara para alguém o que se passava em seu interior?
Não conseguia se lembrar.
Só podia recordar-se das conversas simples, superficiais, que mesmo assim, eram um apelo. Era como se gritasse ‘Eu preciso de ajuda! Alguém pode, por favor, me ajudar nisso? Me perdi e nem sei se isso importa mais!’ cada vez que dizia as horas, informava o nome da rua ou comentava sobre o tempo.
Quando foi que se transformara assim, que havia se perdido tanto?
Malditos pensamentos.
Após o que pareceu ser uma eternidade, o ônibus finalmente chegou. Entrou e, por algum milagre não-divino, conseguiu um banco vazio para sentar-se, e da janela, pôs se a observar todo o caminho.
A noite estava cheia de nuvens, mas havia uma ou outra estrela insistindo em aparecer, e a lua, tão cheia, tão bonita, aparecia majestosamente, desafiando as nuvens que teimavam em tentar esconder seu brilho magnânimo.
Por quem vocês brilham? Por que continuam a existir e transmitir tanta beleza para tantas vidas vazias como a minha?
Levou uma das mãos a cabeça, apoiando-a de leve.
Não é justo tanto vazio para uma pessoa só, repetia quase como uma prece em sua cabeça, não é justo.
Mas quem disse que a vida é justa, afinal?
***
Em casa. Infelizmente, finalmente.
Após comer o que sobrara do jantar de ontem, sentou-se no meio de seu apartamento vazio, não ligando para o chão frio ou a sensação de dormência que provavelmente lhe atingiria.
Durante alguns longos minutos, observou o teto, sem fazer ou pensar em absolutamente nada. Então, muito lentamente, levantou-se e apagou as luzes, voltando a sentar-se no chão.
Ficou ali, talvez, por horas; sentia a dormência nas pernas e pés, o frio nos braços, as lágrimas salgadas escorrendo pelo rosto, mas nada disso fazia com que quisesse se mexer. Poderia ficar ali para sempre e não se importaria.
Não se importava com nada, realmente.
Sentiu nessa hora, inveja não só das pessoas que queriam viver, mas daquelas que queriam morrer. Estava no limiar; não queria mais viver, mas tinha medo de morrer.
Então não tinha nenhum objetivo; era só uma casca vazia, seca e fria.
Após o que pareceu muito tempo, levantou-se e ligou as luzes, dirigindo-se ao quarto para dormir.
Ao passar pela porta, viu que a flor que colocara em uma mesa do canto há pelo menos um mês ainda estava ali; morta, obviamente.
Observou a flor por alguns instantes; as pétalas murchas, secas e enegrecidas, encolhida e recurvada. Mas ainda havia resquícios das folhas verdes que um dia tivera.
Pensou que, se fosse comparar-se com a flor morta, concluiria que ela tinha mais vida, mesmo que estivesse dentro daquelas pétalas murchas e distorcidas.
Afinal, um dia ela fora linda, com um aroma encantador, uma preciosidade.
Mas quando pensava em si, não podia dizer o mesmo.
***
Seis horas. Seis horas da manhã, e o maldito despertador tocou, sendo silenciado por uma mão furiosa alguns segundos depois. Tentou dormir novamente, enfiando a cabeça debaixo do travesseiro, sem sucesso algum. Resolveu levantar-se antes que realmente se atrasasse. Como fazia todos os dias.
Fim
P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

20 de abr. de 2012

Discografia: Mika

Olá pessoal!

A pedido de uma grande amiga, venho aqui postar a discografia do cantor Mika. São apenas dois álbuns, mas incluí também um EP e uma compilação com Outtakes de estúdio.

Aproveitem!
Biografia


Michael Holbrook Penniman, mais conhecido como Mika, nasceu em Beirute, Líbano no dia 18 de Agosto de 1983. É um cantor, e compositor multi-instrumentista que ganhou notoriedade no mundo da música em 2006. Seu 1º álbum Life in Cartoon Motion, que contém os singles de grande sucesso Grace Kelly e Love Today, alcançou 5x Platina no Reino Unido, e 3x Platina nos EUA. Iniciou sua carreira apresentando várias demos para diversas gravadoras, até se firmar na Island Records, em parceria com a Universal Music. 



Filho de mãe libanesa e pai norte-americano. Quando tinha um ano, sua família viu-se obrigada a deixar o Líbano devido à situação de conflito no país, partindo para Paris.


Viveu na França até os 9 anos, quando seu pai esteve retido, por questões diplomáticas, no Kwait, no início da Guerra do Golfo. Depois mudou-se para Londres, Reino Unido, onde vive atualmente. 

Seu contato com a música começou cedo. Aos onze anos já gravava publicidade e participou, a cargo da sua professora de música, de uma ópera chamada Die Frau ohne Schatten, de Strauss. Devido à grande variedade de influências musicais que recebeu em toda a sua vida, Mika tem hoje um reportório que se pode definir como uma mistura de todas essas influências. Desde Prince e Metallica à música clássica que conhecera na ópera, passando pelos traços islâmicos trazidos do Médio oriente. No entanto, o que mais encanta das características de Mika é a sua voz, muito comparada a de Freddie Mercury. Excêntrico em palco e com um ritmo dançante, leva o público ao delírio quando aplica tons mais altos e agudos na sua voz.

(continue lendo aqui)


Discografia

Life In Cartoon Motion (2007)












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The Boy Who Knew Too Much (2009)











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E, como eu havia dito, a compilação (não achei uma capa oficial para ele, mas, de qualquer forma):

Studio Outtakes (2004)












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E o EP:

Songs For Sorrow (2009)











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6 de abr. de 2012

Conto - Street Eyes

Olá pessoal!
Temos um novo conto essa semana, Street Eyes. Título retirado da música do Iggy Pop, Main Street Eyes (podem ouvir a música no 4shared ou no Youtube).
Não esqueçam de dizer o que acham (:


Street Eyes



Robert observava as cortinas de tom azul-escuro como se estivesse observando a uma obra em um museu. Cada detalhe, cada pequena dobra o fascinava; era tão lisa, tão bonita em seu veludo molhado, que por alguns instantes, se esquecera do mundo real.
Mas não era exatamente incomum para Robert se esquecer do mundo real. Ele simplesmente, mergulhava em seu universo e lá ficava, até que algo o arrancasse bruscamente de lá. Nesse caso, fora a voz de Martin, seu irmão, dizendo aborrecido:
- Você não ouviu nada do que eu disse, não é Robert?
Robert somente deu um sorriso encabulado, o que fez Martin bufar e dizer:
- Eu estava falando sobre a exposição que terá hoje. Vovó quer todos nós lá para celebrar o aniversário dela, e você sabe como ela é...
Martin parou de falar quando notou os olhos opacos de Robert, em um ponto fixo atrás de si; virou-se e notou uma borboleta amarela sobrevoando-lhe.
- Assim não é possível – Martin bufou e saiu do aposento.
Robert sentou-se no chão, ao notar-se sozinho. Ele sabia o que Martin estava falando, cada linha. Só não se preocupava muito com nada daquilo; não era exatamente algo que o atraísse. Robert era quieto, calmo e tímido: não gostava de aglomerações ou muitas pessoas.
Gostava de andar pela rua em silêncio e ver as pessoas anonimamente. Robert era do tipo de pessoa que não era notado, e gostava do anonimato. Gostava de observar as pessoas. Vê-las felizes, vê-las tristes, vê-las prestes a explodir, sem que quem estivesse perto delas sequer notasse isso. Fornecia-lhe liberdade.
Martin  já era o oposto. Enquanto voltava para dentro de seu quarto, pensava em como Robert podia ser tão desastrado, dispersivo e desinteressado de tudo. Martin adorava as convenções que iam com frequência, as conversas com diversas pessoas. Era seu universo.
Gostava de andar na rua também, mas ao contrário de Robert, era para se exibir, para atrair olhares. Martin agradava as pessoas, sabia disso, e gostava disso.
Ele e seu irmão eram polaridades opostas, que não entendiam como foram gerados pelos mesmos pais.
Robert esticou os dedos para tocar em uma pequena pedra de mármore que estava por ali, sentindo a textura fria e deliciosa. Estava um tanto desanimado naquele dia, e estava se refugiando mais dentro de si do que era normal. Não sabia ao certo o por que; essas coisas eram repentinas demais, e quando se dava conta, ele já estava mergulhado naquelas sensações.
Martin fora escolher a roupa que iria para a festa. Estava feliz, e não iria deixar Robert estragar isso. Não dessa vez. Com os olhos opacos e tristes, fascinado em sabe que lá qual universo paralelo, não iria deixar com que Martin se sentisse mal dessa vez. Ele não tinha culpa de ter um irmão assim, afinal.
Robert levantou-se, por fim. Teria de ir a maldita festa, ou Martin lhe falaria sobre aquilo até o fim dos tempos. Fora até seu quarto e achou que a roupa que vestia era boa o suficiente, e só ajeitou seus cabelos com um pouco de água, sem ligar para as olheiras que adquirira quando observara as estrelas até de madrugada, na última noite.
Martin finalmente decidira-se por algo, saíra do quarto pronto, quando se deparou com Robert no corredor.
Encararam-se por uns segundos que pareceram durar anos; Robert viu toda a alegria contagiante de Martin, toda a fome de viver e senso de realidade que ele tinha, vendo que Martin gostava disso, que ele era feliz.
Martin, por sua vez, vira o vazio no rosto do irmão, um vazio paradoxalmente cheio; Robert parecia pertencer a diversos mundos, diversas realidades, onde as coisas mais insignificantes faziam sentido e onde as coisas que Martin mais prezava não tinham importância alguma, e Robert sentia-se bem com isso.
Após esses segundos de observação, Robert disse em voz rouca:
- Gostaria que você pudesse trocar de lugar comigo por um dia.
- Eu também. – Martin respondeu.
Encararam-se novamente, um sorriso cúmplice se formando no lábio de ambos.
Mesmo polaridades opostas podem se atrair às vezes.
Fim