30 de set de 2011

Conto - Ab Aeterno


Olá :D
Aqui está um pequeno texto feito por mim, postado no tumblr, nesse post aqui.
Quero a opinião de vocês, ou um reblog, ok? xD

Ab Aeterno*
Qual era a pior das dores, o vazio inesgotável ou a enxurrada de emoções?
O pior era sentir-se cheio demais ou estar imerso em um completo vazio?
Erguia seus olhos para o alto em busca de alguma resposta, e nada!
Suas pálpebras abriam e fechavam com insistência, buscando reter as lágrimas que insistiam em fugir.
E onde ficar?
Para onde fugir?
O que fazer?
Sem respostas, sem ajuda.
Não sabia o que fazer para lidar com as polaridades distintas de agonia que sentia, de qualquer jeito!
Quem iria abrandar a sua dor?
Ser seu guia?
Retirar-lhe da escuridão onde se metera por conta própria?
Ninguém.
Vivia a mais triste das verdades: a solidão.
Solidão de estar em uma multidão, e estar completamente só.
Então isso não iria parar?
Como deveria agir para escapar de seu maior inimigo, seu próprio eu?
E qual das dores que lhe afligiam era pior, a complexidade ou o vazio?
Pobre criança! A resposta é tão fácil.
A pior das dores é aquela que sentes no momento.

Fim


*'Ab aeterno', do latim: desde a eternidade, desde sempre.

P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

22 de set de 2011

Conto - Dirty Numb Angel Boy

Olá! =)

Então, aqui temos um novo texto, intitulado "Dirty Numb Angel Boy" (título tirado da letra de "Born Slippy", da banda Underworld. Recomendo ouvir enquanto estiverem lendo, pelo YouTube ou pelo 4shared). E de certa forma, o filme "Trainspotting", me inspirou, na corrida inicial. Quem o viu, reconhecerá o porque. x)

Então é isso! Boa leitura, aproveitem, COMENTEM!

(E gostaria de agradecê-los por TANTAS visualizações no último texto. Muito obrigada por visitarem! Mas lembrem-se, comentários não mordem e fazem bem à autora ;D )

Dirty Numb Angel Boy

Corra.

Ele corre, corre como se sua vida dependesse disso; corre com toda a força que pode.

Enquanto corre, sente a sujeira de seu corpo, seus pés sujos, seu rosto derramando suor. Sente seus pulmões buscarem ar desesperados, pedindo-lhe para parar.

Mas ele não liga; ele precisa correr.

Precisava, pois era a única coisa que poderia fazer; há muito tempo perdera tudo. Não tinha mais nada, nenhum motivo para lutar. Não tinha nada além do chão abaixo de seus pés.

E do sorriso que ela lhe dera.

Sorriso esse que não seria dado a ele, se ela soubesse quem ele era.

Por que ela, ou qualquer um, iria sorrir para alguém como ele?

Ele simplesmente não merecia.

Mas isso não importava. Só correr importava. Ele quase caiu em frente a uma loja, e praguejando, desejou estar com uma dose de qualquer coisa para injetar. Só queria estar entorpecido.

Entorpecido; mesmo antes de usar drogas, era seu lema de vida. Menino sem lar, ou de lar em ruína (tanto faz); não se importava mais. Sempre fora alheio, sempre fora ausente.

Ausente de sua própria vida.

E diante das coisas que fizera, como poderia consertar qualquer coisa? Não era como se ele não fosse culpado, ou como se as drogas o tivessem obrigado a cometer tantos crimes e erros. Estava ciente e limpo quando os fizera, cada um deles.

Arrependia-se de alguns, naturalmente. Mas não ligava muito; achava que, se tivesse uma chance de voltar ao passado e fazer tudo de novo, cometeria os mesmos erros, do mesmo modo.

E por isso ele corria; ele não se arrependia. Não acreditava em mudanças. Não acreditava que tudo iria melhorar. Seu pensamento concentrava-se apenas em heroína, cocaína e um sorriso, “ela sorriu para mim!” e nos passos atrás de si, perseguindo-o.

E por isso ele tinha que correr; ainda lhe restava um sorriso.

Ouviu um clique, e em seguida um estou; então caiu no chão, sua cabeça um mistura de sangue e vazio.

Agora, realmente não lhe restava mais nada.

Fim

14 de set de 2011

Conto - Riding the Gravy Train

Olá a todos! :-)

Esse é um conto feito há alguns meses atrás, que eu particularmente gosto muito. Lembrem-se que opiniões e críticas construtivas ajudam o autor a crescer, por isso, comentem sem reservas! Eu sempre leio os comentários que vocês fazem, e acreditem, faz MUITO bem ;D

Sem enrolações, aqui está, enjoy!

Riding the Gravy Train*

Em uma rua afastada de um barro residencial, o silêncio reinava completamente. Ou quase completamente; eram ouvidos os barulhos de passos, solitários e reservados.

Esses passos pertenciam a um homem alto, com cabelos e olhos escuros, que passeava calmamente, como se não fosse madrugada e como se não temesse os perigos de se estar sozinho em uma noite melancólica.

Devido ao frio intenso, colocou as mãos no bolso de seu casaco, para tentar aquecer-se e ficou olhando para as estrelas e a lua, maravilhosamente cheia. Gostava disso, de estar sozinho, ouvindo o som dos próprios passos sem uma única alma viva por perto. Só ele e seus demônios e anjos interiores lhe assombrando, como fantasmas dos casarões que povoavam as fábulas antigas.

Sentiu vontade de fumar, mas seus dedos estavam tão confortáveis dentro do bolso que não quis tirá-los de lá. Então permaneceu solitário, com seus pensamentos acusadores e atormentados.

Culpa, dúvidas e incertezas, em todos os caminhos possíveis. Uma estranha dúvida entre o que era certo e errado, se bem e mal realmente existiam. Sentia-se idiota por essas reflexões, e mais ainda por esse comportamento arriscado que o fazia caminhar durante noites inteiras: ora, não era mais um adolescente em crise de idade. Mas pensando bem, quando foi determinada uma idade certa para perguntar-se sobre o rumo de sua própria vida?

Sujeira em seu coração, corrupção de sua alma; sentia-se indigno de ser feliz, indigno de ser amado. 

Mesmo que soubesse que, comparado a outros seres humanos era um anjo, ainda assim achava que não merecia nada daquilo que tinha.

Quando avistou uma casa de aspecto familiar, resolveu sentar-se em seu meio-fio, para enfim fumar seu cigarro, pensando que, se seus anjos e demônios não o matassem, o cigarro ou a imprudência de suas saídas noturnas o fariam.

Seus pensamentos não pararam enquanto tragava a fumaça tóxica; só fez com que aprofundasse seus questionamentos. Apesar de se achar indigno e sujo, achava que isso era injusto; por que ele tinha de culpar-se tanto por tudo e por todos, por toda e qualquer ação? As pessoas muito humildes (e não só elas) não costumavam fazer isso; erravam, e no máximo pediam desculpas. Não tinham o costume de atormentar-se assim;  a simplicidade de suas vidas eram um bálsamo.

“A ignorância é uma benção”, pensou, quando seu cigarro acabou e resolveu sair dali antes que os donos da casa acordassem. “Ou a extrema sabedoria. Meu problema é não ter nem um, nem outro”, concluiu sua idéia, lembrando-se de um sábio amigo de sua mãe; lembrou-se de sua fisionomia, nada bonito, porém tão simpático que se tornava... agradável.

Era velho, era reflexivo em suas idéias e ações, e, sobretudo, era feliz.  O velho sempre lhe dera sentimentos opostos: receio e fascínio. Mas no fundo, sabia que junto a toda aquela admiração, tinha um sentimento não muito nobre: inveja. Ele queria SER como ele; agora que já fora tirados das garras da ignorância e de sua abençoada cegueira, só poderia sonhar em um dia, tornar-se tão sábio quanto aquele enigmático velho.

Quem sabe assim, conseguisse lidar com aquele turbilhão de pensamentos que sua cabeça formava? Lidar, não entender. Duvida, por exemplo, que mais sábio dos homens do mundo pudesse explicar a insensatez do amor.

Indo em direção a uma avenida com mais movimento, sentia-se ligeiramente melhor; andar lhe fazia bem. 

Não se importava com as olheiras do dia seguinte, contanto que pudesse andar, sentir o chão abaixo de si, o frio da noite e a companhia solitária das estrelas.

Se a simplicidade era o bálsamo das pessoas humildes, esse era o seu. E ele precisava disso.

Fim

*Trecho de "Have a Cigar", do Pink Floyd. Não, não tem um sentido direto, mas eu gosto como soa :-)

P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

2 de set de 2011

Conto - Dead Souls

Olá!

Duas postagens em uma semana! Pra compensar a falta da semana passada XD

Aqui está, um pequeno conto insano, nomeado "Dead Souls" por conta da música do Joy Division, que como sempre, recomendo ouvirem. x) (link dela no You Tube ou no 4shared).

Aproveitem, e COMENTEM hein! 

Dead Souls

“Psiu!”

Ele retirou delicadamente seus fones de ouvido e olhou para trás; ninguém lhe chamava.

Odiava essa sensação, parecia que bastava ele colocar fones de ouvido e viajar na música que tinha impressão de que o mundo lhe chamava.

“Psiu!”

Ignorou.

“Psiu!”

Mas isso estava muito insistente! Resolveu tirar de novo, e nada. As pessoas da fila do banco já lhe encaravam de maneira estranha, mas ele não ligou; desde quando alguns olhares atravessados eram suficientes para intimidá-lo?

Colocou de novo os fones.

“Psiu!”

Às vezes, ele perguntava-se se isso era apenas uma impressão. Ah, ele sabia que não era; não era só com música, às vezes no silêncio poderia escutar algo lhe chamando.

Mas o que ou quem lhe chamava?

Bem, isso ele não sabia, e não tinha a menor ideia se um dia saberia.

Mas esses pequenos fragmentos de som ou imaginação não eram a única coisa que lhe chamava.
Ele sentia-se como em um filme; sentia-se sendo puxado e arrastado para várias realidades. E no fundo, não sabia qual delas era real, quem poderia saber?

Certas pessoas poderiam dizer que é muito fácil reconhecer a realidade, que sonhos e o mundo real são muito distintos: mas quem poderia provar isso?

Um sonho pode ser tão real quanto qualquer outra coisa. Estranho, mas o que seria mais estranho que o milagre da vida real? Não existe normalidade; até a mais normal das pessoas é estranha por ter tanta normalidade.

Mas ele não gostava disso: tanta confusão mental não era saudável. Tantas personalidades, tantos mundos diferentes, tanta diferença entre polaridades em sua mente o faziam perguntar o tempo todo “Afinal, quem sou eu?”

É uma pergunta que persegue o homem desde o início dos tempos, e sem dúvida alguma, muito batida; mas é, ao mesmo tempo, atemporal. Pois afinal, quem somos? Quem pode decidir em qual personalidade, em qual polaridade vivemos? Por que só uma delas pode ser verdadeira?

O mundo é uma coisa tão estranha, ele pensava. Mas, analisando melhor, não; o mundo era estranhamente perfeito.  Os animais eram perfeitos. O ciclo era perfeito.

Só os humanos não eram perfeitos. E engraçado como isso modificava todas as outras coisas!
E qual das realidades que lhe chamava ele deveria seguir? Qual era a certa? Existia realmente uma que fosse certa, ou seremos sempre almas mortas a vagar sem rumo nem certeza de nada?

“Senhor, é sua vez!”

Fora puxado de volta a realidade pela voz impaciente da mocinha que atendia aquela enorme fila do banco. 

Ah, as contas, precisava assinar os papéis... precisava voltar a responsabilidade e à realidade.

Ou a uma delas.

Fim


P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.