22 de set de 2011

Conto - Dirty Numb Angel Boy

Olá! =)

Então, aqui temos um novo texto, intitulado "Dirty Numb Angel Boy" (título tirado da letra de "Born Slippy", da banda Underworld. Recomendo ouvir enquanto estiverem lendo, pelo YouTube ou pelo 4shared). E de certa forma, o filme "Trainspotting", me inspirou, na corrida inicial. Quem o viu, reconhecerá o porque. x)

Então é isso! Boa leitura, aproveitem, COMENTEM!

(E gostaria de agradecê-los por TANTAS visualizações no último texto. Muito obrigada por visitarem! Mas lembrem-se, comentários não mordem e fazem bem à autora ;D )

Dirty Numb Angel Boy

Corra.

Ele corre, corre como se sua vida dependesse disso; corre com toda a força que pode.

Enquanto corre, sente a sujeira de seu corpo, seus pés sujos, seu rosto derramando suor. Sente seus pulmões buscarem ar desesperados, pedindo-lhe para parar.

Mas ele não liga; ele precisa correr.

Precisava, pois era a única coisa que poderia fazer; há muito tempo perdera tudo. Não tinha mais nada, nenhum motivo para lutar. Não tinha nada além do chão abaixo de seus pés.

E do sorriso que ela lhe dera.

Sorriso esse que não seria dado a ele, se ela soubesse quem ele era.

Por que ela, ou qualquer um, iria sorrir para alguém como ele?

Ele simplesmente não merecia.

Mas isso não importava. Só correr importava. Ele quase caiu em frente a uma loja, e praguejando, desejou estar com uma dose de qualquer coisa para injetar. Só queria estar entorpecido.

Entorpecido; mesmo antes de usar drogas, era seu lema de vida. Menino sem lar, ou de lar em ruína (tanto faz); não se importava mais. Sempre fora alheio, sempre fora ausente.

Ausente de sua própria vida.

E diante das coisas que fizera, como poderia consertar qualquer coisa? Não era como se ele não fosse culpado, ou como se as drogas o tivessem obrigado a cometer tantos crimes e erros. Estava ciente e limpo quando os fizera, cada um deles.

Arrependia-se de alguns, naturalmente. Mas não ligava muito; achava que, se tivesse uma chance de voltar ao passado e fazer tudo de novo, cometeria os mesmos erros, do mesmo modo.

E por isso ele corria; ele não se arrependia. Não acreditava em mudanças. Não acreditava que tudo iria melhorar. Seu pensamento concentrava-se apenas em heroína, cocaína e um sorriso, “ela sorriu para mim!” e nos passos atrás de si, perseguindo-o.

E por isso ele tinha que correr; ainda lhe restava um sorriso.

Ouviu um clique, e em seguida um estou; então caiu no chão, sua cabeça um mistura de sangue e vazio.

Agora, realmente não lhe restava mais nada.

Fim

2 comentários:

  1. =

    first !! \o\
    como disso em outro texto
    tu transforma coisas simples em reflexões fodonas
    e BASTANTE coerentes @_@

    Conseguiu por a sociopatia, problemas familiares e o vicio dele em uma simples corrida pela vida hehe ... amei babys...
    esperando por mais do melhor de vc *ç*

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  2. faço minhas palavars do garoto de cima "tu transforma coisas simples em reflexões fodonas", muito lindo.

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