28 de jan de 2011

Conto - Tears

Oi gente (:
Então, conto novo na área. Chama-se 'Tears', pois o fiz enquanto ouviu a música do Rush de mesmo nome.
Ele é um formato bem diferente do que costumo fazer, e como só duas pessoas leram, ainda estou meio insegura com ele. Não esqueçam de dizer o que acharam, hein? ;)


Tears

Ele sente que poderia dar a sua vida por ela.

Ela sente que ele é todas as respostas que ela sempre procurou.

Ele sente que era apenas metade de alguém antes de encontrá-la.

Ela sente que ele é a metade de sua alma que um dia, antes de nascer, ela perdeu por aí.

Ele sente um amor tão profundo por ela que o faz ter vontade de chorar por depender tanto assim de alguém.

Ela sente-se completamente desamparada com um sentimento tão intenso e inexplicável como este.

Mas ele sabe que não é perfeito e sempre teve um talento especial para acabar com a sua felicidade.

Ela sabe que é geniosa e diz coisas que magoam a um nível irrecuperável.

Ele sabe que em um momento de fraqueza a traiu, machucando-a da pior maneira possível.

Ela sabe que falou as palavras mais cruéis que podiam existir para ele. E por mais que sofra não se arrepende disso.

Ele chora.

Ela chora.

Suas lágrimas se misturam. E eles não sabem mais porque ainda fazem isso.

O que não os impede de continuar.

Porque apesar de ser parte um do outro, eles sabem que não podem ficar juntos.

Porque simplesmente não vai ser a mesma coisa.

Nunca mais.

Ele vai estar sempre na defensiva, esperando um novo ataque dela.

Ela vai estar sempre em posição de ataque, procurando novos vestígios de traição.

Ele sabe que tudo mudou.

Ela sabe que nada poderia ser de novo igual.

Eles sabem que algo se quebrou entre eles.

Pra sempre.

Ele sabe que ela o ama.

Ela sabe que ele o ama.

E isso realmente não importa mais pra eles.

Fim

P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

24 de jan de 2011

Crítica - Velvet Goldmine (Filme)

Velvet Goldmine



Começando a sessão de críticas cinematográficas daqui, dificilmente poderia ser outro filme além de Velvet Goldmine. Quem me conhece sabe que sou ligeiramente obcecada por esse filme, então não podia ser diferente.

Pra começar, acho que é bom frisar que Velvet Goldmine não é um filme para todos. Pode parecer confuso, chato ou musical demais; mas se você gostar do estilo, será um filme inesquecível. O longa dirigido por Todd Haynes conta a história do astro de Glam Rock, Brian Slade (Jonathan Rhys Meyers), que nos anos 70, encenou sua morte no palco. 10 anos depois, o jornalista Arthur Stuart (Christian Bale), um antigo fã de Slade, é contratado para descobrir o paradeiro do astro desaparecido. Para isso, investiga o passado com pessoas que conviveram com Brian, tais sua esposa, Mandy Slade (Tony Collete), e Curt Wild, amante de Brian (Ewan Mc Gregor).

Aí começa o desenrolar da história. Contada em flashbacks, misturando a história de Brian com a do próprio Arthur, nós vamos aos poucos descobrindo toda a maravilhosa história que se esconde, e descobrimos o mundo do Glam Rock, que nos anos 70, revolucionou o mundo. 

E como sendo o Glam Rock o tema do filme, ele acaba de certa forma imitando a vida real. É impossível não relacionar Brian Slade com David Bowie, astro principal do Glam Rock, já que muitas passagens da vida de Bowie foram passadas a Brian. E impossível não reconhecer em Curt Wild os rockeiros Iggy Pop e Lou Reed, com também vários fatos da vida desses, e ambos foram apontados como amantes de David Bowie, mesmo que seja negado por ambos.
 
Essa mescla de fatos reais e fictícios dão a Velvet Goldmine o status de uma biografia fictícia, sendo que ao mesmo tempo, conta e não conta a história, sendo esse o mais marcante mérito do filme. Foi um trunfo e tanto colocar Oscar Wilde como o primeiro popstar, e suas constantes referências no filme são deliciosas.



Os atores estão muito bem nos filme. Jonathan Rhys Meyers faz um excelente Brian Slade; você nunca sabe ao certo o que Brian está pensando. E os toques de paixão, frieza e determinação do personagem estão completamente marcantes. 

Ewan Mc Gregor está perfeito, a mais apaixonante atuação do filme. Sua energia é vibrante para dar vida ao intenso personagem Curt Wild. E as cenas que demonstram a relação dos dois personagens, como o beijo com citação de Oscar Wilde e o passeio no parquinho ao som de Satellite of Love são marcantes e deliciosas.



Christian Bale faz um Arthur Stuart razoável, que cumpre bem seu papel no filme. Tony Collete está fabulosa como a mulher de Brian, demonstrando os controversos sentimentos de sua personagem.

A direção de Todd Haynes é totalmente impecável. Ele deixa o espectador confuso, e vai guiando através de um caminho que na maioria das vezes, causará muita surpresa a quem assiste o filme.
 
Fotografia linda e contrastante. Nos anos 70, um imenso colorido, que abusa de tons verdes e vermelhos sem nenhum dó, entre outras cores extravagantes. E nos anos 80, uma fotografia mais acinzentada e escura, como se para deixar bem claro a diferença entre as décadas.
 
Figurino igualmente belo e exuberante. As espalhafatosas e chamativas cores do Glam Rock, seus modelos ousados e andróginos estão no filme de todas as maneiras possíveis.
 
A trilha sonora é um dos pontos altos do filme, senão o mais marcante. Vários sucessos do Glam Rock na trilha, alguns covers, e outras em sua gravação original, farão aqueles fãs do gênero cantarolar elas seguidamente. No filme, pode-se reconhecer muitas músicas de Roxy Music, algumas de The Stooges, T. Rex, Lou Reed. Além dos covers regravados pelas bandas formadas especialmente para o filme, a The Venus in Furs e a Wylde Rattz. A falta mais marcante é a do próprio David Bowie, já que ele não autorizou suas músicas no filme. Mas mesmo assim, a trilha demonstra bem o som do Glam Rock, com perfeição.

Se você gosta de filmes diferentes, gosta de filme com a história do rock e primordialmente, gosta de cinema, Velvet Goldmine é um filme indispensável em sua lista.


TRAILER:

                                                                                          

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21 de jan de 2011

Resenha: Laranja Mecânica (Livro)

Laranja Mecânica é um livro de 1962, escrito por Anthony Burgess. Teve uma adaptação para os cinemas em 1971, pelas mãos do diretor Stanley Kubrick (uma adaptação excelente, devo ressaltar), diretor dos filmes ‘O Iluminado’ e ‘2001 – Uma odisséia no espaço’, e com a atuação do Malcolm McDowell.

O livro se passa em um futuro caótico e não muito distante, em Londres. Conta a história de Alex de Large, um jovem delinquente, que junto com seus amigos Pete, Georgie e Tosko, sai pelas noites londrinas roubando, espancando e estuprando.

A frieza do personagem, sua inteligência e crueldade são chocantes e mostradas logo no início, quando ele estupra uma moça na frente de seu marido escritor, para logo depois voltar para um barzinho onde pode tomar o seu ‘moloko com’ (popular leite com drogas).

É quando conhecemos a outra face de Alex, um amante de música clássica, em especial de Ludwig van Beethoven. No bar, Alex ouve uma moça cantando uma ópera, onde fica encantado. Mas quando Tosko ri da moça Alex torna-se irritado e bate nele, o que acaba sendo um grande erro. Na hora tudo parece bem, mas os 'druguis' de Alex não se esquecem do ocorrido, e querem mais autonomia nas atividades do grupo.

Quando Alex sabe disso, ocorre uma briga entre ele e Tosko. Mesmo perdendo, Tosko propõe uma visita a uma casa de uma senhora, para roubá-la. Alex topa, mas quando chegam lá, a senhora reage, e ele acaba acidentalmente matando-a. 

Quando vai fugir, Georgie e Pete já tinham ido embora, e Tosko acerta seus olhos com uma corrente e foge, deixando Alex para a polícia. Assim, o jovem Alex (que possui apenas 15 anos), é preso e condenado. 

Alex mantém boas relações com os detentos. Até um dia, em que comete um assassinato "acidental" a um de seus colegas de cela. Depois desse ato, fica evidente a crueldade e frieza de Alex a todos. Ele é indicado a fazer a técnica Ludovico e, vendo uma chance de sair da prisão, aceita sem pestanejar.

A técnica Ludovico faz com que, através de medicamentos e sessões diárias de filmes sangrentos, o paciente crie uma "alergia" a qualquer tipo de violência, não podendo sequer pensar em cometer algum ato de violência sem sentir um horrível mal estar físico. 

Alex torna-se um cidadão de bem, incapaz de cometer qualquer crime. Mas não por sua própria escolha, e sim pela falta dela. Alex não pode sequer defender-se quando é atacado: pra ele, é melhor ser espancado do que sentir o terrível enjoo quando pensa em ser violento. Torna-se completamente inofensível e a mercê da sociedade.

É nesse momento que começa o verdadeiro questionamento do livro; até quando a sociedade pode interferir na vida de um homem? Mesmo o mais cruel dos criminosos, não é praticar uma violência igual, ou mesmo pior do que a dele, priva-lo do poder da escolha?

Até a narrativa de Laranja Mecânica é incrível. Anthony Burguess desenvolveu uma linguagem própria para o livro, misturando gírias inglesas e palavras russas, e inserindo-as na narrativa. Provoca uma sensação de confusão no leitor. Palavras como: 
horrorshow = legal  
drugui = amigos 
nadsat = adolescente 
Entre outros. Há até um dicionário com essas palavras na edição brasileira.


Junto com 1984 de George Orwell e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, Laranja Mecânica é um dos símbolos literários da alienação do século XX. Um livro que não só merece como deve ser lido. 

E se puderem assistir a obra prima de Stanley Kubrick, é uma excelente pedida! Apesar de mudanças no roteiro, cada uma é, a sua maneira, uma obra prima.

Viddy well little brother, viddy well.


20 de jan de 2011

Conto - Não Lamente

Olá pessoal!

Bem, esse vai ser o meu primeiro conto original postado por aqui. Ele chama-se 'Não Lamente', título dado por minha amiguinha Laís. Escrevi ele em algum momento do dia dos namorados passado, mas não é muito romântico e é curtinho mesmo. Sugestão da Jéssica eu postar ele. Então, sem mais enrolação, aí vai ele:

Não Lamente


“Então é assim, não é?” – eu disse, num tom de amargura desconhecido por mim.

“Sim, é.” – ela disse isso de forma tão seca, partiu meu coração.

“Exatamente da maneira como você disse que ia ser...”

“Sim, é desse jeito.” – ela pegou e virou-se, me olhando nos olhos – “Não me olhe assim, por favor. Sabe que eu lamento.”

“Lamenta? Não minha querida, realmente não parece que você lamenta... muito pelo contrário, está feliz de se ver livre de mim...”

“Não, não fale assim” – sacudiu a cabeça aborrecida – “Não está sendo nem um pouco fácil para mim, ir embora desse jeito.”

“Então por que está indo?” – disse enfim, com raiva.

“Preciso mesmo dizer?” – a vez de ela ficar com raiva. “Você não é nenhuma criança. Sabe que a nossa relação já acabou. Sabe que não podemos mais ir adiante.”

Pela primeira vez, vi lágrimas em seus olhos.

“A que ponto nós chegamos, Tom? Não é lamentável estarmos aqui, agora, nessa conversa fria? E um dia achamos que ia durar para sempre.”

“Por mim teria durado, Carla. É você que está indo embora.”

“Por favor Tom – dessa vez uma lágrima rolou – não faça assim. Você é tão culpado quanto eu. Nenhum de 
nós manteve nossa relação. Nenhum de nós se preocupou em manter o que nós precisávamos. O fim foi inevitável.”

“Você me ama?” – eu perguntei para ela de repente.

“Sim” – ela disse sem nem pensar.

“Então por que está indo embora?” – minha voz tremeu com as lágrimas.

“Porque eu te amo – disse ela – e é por isso que eu vou embora. Porque não posso perdoar o meu amor por 
você. Nem o seu por mim, se me ama...”

“Eu te amo sim” – interrompi-a.

“Mas enfim, isso eu não posso perdoar. Que nós nos amássemos tanto e fazer  o que fizemos um ao outro. Não dá mais.”  

Ela pegou a mala, e passou por mim. Deu-me então um beijo apaixonado.

“Tenha uma boa lembrança de mim. Eu te amei tanto. Deus eu, ainda te amo.”

Então saiu pela porta, com lágrimas nos olhos.

Foi quando pude desmoronar e cair no chão. Ela estava certa...

E mesmo que eu não consiga parar de pensar nela, sei que está tudo acabado...

E não posso culpar ninguém além de nós dois. Responsáveis pelo amor e pela paixão, pela decadência e pela ruína. 

Fim

P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

19 de jan de 2011

Welcome!

Olá a todos!

Resolvi fazer esse blog de impulso. Na verdade, essa idéia estava na minha cabeça desde que a minha amiga Bárbara leu uma crônica minha e me disse que eu deveria compartilhar meus textos com o mundo. Então, resolvi por em prática, ou ao menos parcialmente.
Nesse espaço, pretendo postar resenhas de filmes (pois cinema é minha maior paixão), de livros e de álbuns musicais, alguns textos originais meus (o que inclui crônicas e pequenos contos), entre outras coisas.

Como eu estou meio perdida pra uma postagem decente, vou explicar a origem do nome do blog, “The Sense of Doubt”.

“Sense of Doubt” é uma faixa do álbum “Heroes”, um álbum progressivo do cantor britânico David Bowie. É uma canção maravilhosa, com um ar bem sombrio e que depende do seu estado de espírito pra ouvir, mas é ótima para reflexões. E é bem diferente do repertório usual de David Bowie, mas é difícil falar em padrões quando falamos em Bowie e toda sua diversidade musical.

Ela é uma faixa instrumental. Convido-os a escutarem, e ouvirem todo o álbum “Heroes”, se gostarem ;D