21 de jan de 2011

Resenha: Laranja Mecânica (Livro)

Laranja Mecânica é um livro de 1962, escrito por Anthony Burgess. Teve uma adaptação para os cinemas em 1971, pelas mãos do diretor Stanley Kubrick (uma adaptação excelente, devo ressaltar), diretor dos filmes ‘O Iluminado’ e ‘2001 – Uma odisséia no espaço’, e com a atuação do Malcolm McDowell.

O livro se passa em um futuro caótico e não muito distante, em Londres. Conta a história de Alex de Large, um jovem delinquente, que junto com seus amigos Pete, Georgie e Tosko, sai pelas noites londrinas roubando, espancando e estuprando.

A frieza do personagem, sua inteligência e crueldade são chocantes e mostradas logo no início, quando ele estupra uma moça na frente de seu marido escritor, para logo depois voltar para um barzinho onde pode tomar o seu ‘moloko com’ (popular leite com drogas).

É quando conhecemos a outra face de Alex, um amante de música clássica, em especial de Ludwig van Beethoven. No bar, Alex ouve uma moça cantando uma ópera, onde fica encantado. Mas quando Tosko ri da moça Alex torna-se irritado e bate nele, o que acaba sendo um grande erro. Na hora tudo parece bem, mas os 'druguis' de Alex não se esquecem do ocorrido, e querem mais autonomia nas atividades do grupo.

Quando Alex sabe disso, ocorre uma briga entre ele e Tosko. Mesmo perdendo, Tosko propõe uma visita a uma casa de uma senhora, para roubá-la. Alex topa, mas quando chegam lá, a senhora reage, e ele acaba acidentalmente matando-a. 

Quando vai fugir, Georgie e Pete já tinham ido embora, e Tosko acerta seus olhos com uma corrente e foge, deixando Alex para a polícia. Assim, o jovem Alex (que possui apenas 15 anos), é preso e condenado. 

Alex mantém boas relações com os detentos. Até um dia, em que comete um assassinato "acidental" a um de seus colegas de cela. Depois desse ato, fica evidente a crueldade e frieza de Alex a todos. Ele é indicado a fazer a técnica Ludovico e, vendo uma chance de sair da prisão, aceita sem pestanejar.

A técnica Ludovico faz com que, através de medicamentos e sessões diárias de filmes sangrentos, o paciente crie uma "alergia" a qualquer tipo de violência, não podendo sequer pensar em cometer algum ato de violência sem sentir um horrível mal estar físico. 

Alex torna-se um cidadão de bem, incapaz de cometer qualquer crime. Mas não por sua própria escolha, e sim pela falta dela. Alex não pode sequer defender-se quando é atacado: pra ele, é melhor ser espancado do que sentir o terrível enjoo quando pensa em ser violento. Torna-se completamente inofensível e a mercê da sociedade.

É nesse momento que começa o verdadeiro questionamento do livro; até quando a sociedade pode interferir na vida de um homem? Mesmo o mais cruel dos criminosos, não é praticar uma violência igual, ou mesmo pior do que a dele, priva-lo do poder da escolha?

Até a narrativa de Laranja Mecânica é incrível. Anthony Burguess desenvolveu uma linguagem própria para o livro, misturando gírias inglesas e palavras russas, e inserindo-as na narrativa. Provoca uma sensação de confusão no leitor. Palavras como: 
horrorshow = legal  
drugui = amigos 
nadsat = adolescente 
Entre outros. Há até um dicionário com essas palavras na edição brasileira.


Junto com 1984 de George Orwell e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, Laranja Mecânica é um dos símbolos literários da alienação do século XX. Um livro que não só merece como deve ser lido. 

E se puderem assistir a obra prima de Stanley Kubrick, é uma excelente pedida! Apesar de mudanças no roteiro, cada uma é, a sua maneira, uma obra prima.

Viddy well little brother, viddy well.


3 comentários:

  1. Me deixou (ainda mais) curiosa para ler e ver o filme. *-*

    ResponderExcluir
  2. ahhh que orgulho da minha primeira ministra -q

    escreve divinamente *-*

    estou amandoo!
    <3

    ResponderExcluir
  3. Muito bom, deu até vontade de ler novamente.

    ResponderExcluir