14 de set de 2011

Conto - Riding the Gravy Train

Olá a todos! :-)

Esse é um conto feito há alguns meses atrás, que eu particularmente gosto muito. Lembrem-se que opiniões e críticas construtivas ajudam o autor a crescer, por isso, comentem sem reservas! Eu sempre leio os comentários que vocês fazem, e acreditem, faz MUITO bem ;D

Sem enrolações, aqui está, enjoy!

Riding the Gravy Train*

Em uma rua afastada de um barro residencial, o silêncio reinava completamente. Ou quase completamente; eram ouvidos os barulhos de passos, solitários e reservados.

Esses passos pertenciam a um homem alto, com cabelos e olhos escuros, que passeava calmamente, como se não fosse madrugada e como se não temesse os perigos de se estar sozinho em uma noite melancólica.

Devido ao frio intenso, colocou as mãos no bolso de seu casaco, para tentar aquecer-se e ficou olhando para as estrelas e a lua, maravilhosamente cheia. Gostava disso, de estar sozinho, ouvindo o som dos próprios passos sem uma única alma viva por perto. Só ele e seus demônios e anjos interiores lhe assombrando, como fantasmas dos casarões que povoavam as fábulas antigas.

Sentiu vontade de fumar, mas seus dedos estavam tão confortáveis dentro do bolso que não quis tirá-los de lá. Então permaneceu solitário, com seus pensamentos acusadores e atormentados.

Culpa, dúvidas e incertezas, em todos os caminhos possíveis. Uma estranha dúvida entre o que era certo e errado, se bem e mal realmente existiam. Sentia-se idiota por essas reflexões, e mais ainda por esse comportamento arriscado que o fazia caminhar durante noites inteiras: ora, não era mais um adolescente em crise de idade. Mas pensando bem, quando foi determinada uma idade certa para perguntar-se sobre o rumo de sua própria vida?

Sujeira em seu coração, corrupção de sua alma; sentia-se indigno de ser feliz, indigno de ser amado. 

Mesmo que soubesse que, comparado a outros seres humanos era um anjo, ainda assim achava que não merecia nada daquilo que tinha.

Quando avistou uma casa de aspecto familiar, resolveu sentar-se em seu meio-fio, para enfim fumar seu cigarro, pensando que, se seus anjos e demônios não o matassem, o cigarro ou a imprudência de suas saídas noturnas o fariam.

Seus pensamentos não pararam enquanto tragava a fumaça tóxica; só fez com que aprofundasse seus questionamentos. Apesar de se achar indigno e sujo, achava que isso era injusto; por que ele tinha de culpar-se tanto por tudo e por todos, por toda e qualquer ação? As pessoas muito humildes (e não só elas) não costumavam fazer isso; erravam, e no máximo pediam desculpas. Não tinham o costume de atormentar-se assim;  a simplicidade de suas vidas eram um bálsamo.

“A ignorância é uma benção”, pensou, quando seu cigarro acabou e resolveu sair dali antes que os donos da casa acordassem. “Ou a extrema sabedoria. Meu problema é não ter nem um, nem outro”, concluiu sua idéia, lembrando-se de um sábio amigo de sua mãe; lembrou-se de sua fisionomia, nada bonito, porém tão simpático que se tornava... agradável.

Era velho, era reflexivo em suas idéias e ações, e, sobretudo, era feliz.  O velho sempre lhe dera sentimentos opostos: receio e fascínio. Mas no fundo, sabia que junto a toda aquela admiração, tinha um sentimento não muito nobre: inveja. Ele queria SER como ele; agora que já fora tirados das garras da ignorância e de sua abençoada cegueira, só poderia sonhar em um dia, tornar-se tão sábio quanto aquele enigmático velho.

Quem sabe assim, conseguisse lidar com aquele turbilhão de pensamentos que sua cabeça formava? Lidar, não entender. Duvida, por exemplo, que mais sábio dos homens do mundo pudesse explicar a insensatez do amor.

Indo em direção a uma avenida com mais movimento, sentia-se ligeiramente melhor; andar lhe fazia bem. 

Não se importava com as olheiras do dia seguinte, contanto que pudesse andar, sentir o chão abaixo de si, o frio da noite e a companhia solitária das estrelas.

Se a simplicidade era o bálsamo das pessoas humildes, esse era o seu. E ele precisava disso.

Fim

*Trecho de "Have a Cigar", do Pink Floyd. Não, não tem um sentido direto, mas eu gosto como soa :-)

P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

3 comentários:

  1. Tão lindo quanto triste e verdadeiro. Não importa a idade parece que as dúvidas sempre permanecerão.

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  2. =
    PQP... mais uma vez me identifico com seu personagem *¬* como consegue isso mew ??

    Sabe o que é mais foda... tu consegue fazer uma simples caminhada matutina se tornar um questionamento filosófico foda @_@

    beijos e amor !!

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