29 de fev. de 2012

Poema - Pack Of Lies

Olá pessoas!

Estou postando aqui um antigo poema meu, 'Pack of Lies'. O título veio de um trecho de uma música do Placebo, Without You I'm Nothing (link no 4shared e no Youtube, caso queiram ouvir enquanto estiverem lendo). 

Ahhh, um lembrete: caso tenham um tumblr, eu postei esse conto lá também, nesse post aqui, reblogs são bem vindos. ^_^

Não me acho muito boa com poemas, mas mesmo assim... enjoy! (:

Pack of Lies

Eu fecho os olhos, e vejo tudo negro;

vejo a escuridão,

vejo a desesperança e o vazio.

Então, eu abro meus olhos.



Eu fecho os olhos, e vejo você;

vejo todo o amor que sinto por você,

e vejo a ruína que isso pode me trazer,

vejo o medo de amar alguém tanto assim;

Então, eu abro meus olhos.



Eu fecho os olhos, e não vejo nada;

vejo e não vejo minha vida passando como um mapa,

me guiando e não guiando em direção a existência

da carência de alguma coisa a mim segregada.

Então, eu abro meus olhos.



Eu fecho os olhos, e vejo o negro, vejo o nada, vejo você.

Ainda há a desesperança, ainda há a escuridão,

ainda há o nada, ainda há o medo;

mas ainda há você, e ainda há o que sinto por você.

Então, mantenho meus olhos fechados.

Fim


P.S.: se você gostou do poema e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

7 de fev. de 2012

Conto - Losing My Religion


Olá a todos!
Venho hoje com um novo conto, intitulado "Losing My Religion". Sim, o nome vem da música do R.E.M. Recomendo ouvir quando ler; podem baixar/ouvir pelo 4shared ou pelo Youtube.
Quero comentários assim que lerem... boa leitura!

Losing My Religion

Edgar sempre fora, desde criança, uma alma voltada para Deus.

Uma de suas primeiras recordações era de, por volta de seus cinco anos, sua mãe levando-o à uma igreja. Lembrava-se de ter ficado fascinado pelas cores e formas da catedral em estilo gótico, pelos rostos sérios e pelas imagens dos santos. E o que mais lhe chamara a atenção era o rosto do Cristo em um imenso crucifixo de madeira, em cima do altar. Assustara-lhe, e ao mesmo tempo, lhe fascinara.

Em sua afobação infantil, não comentara com sua mãe o quão fascinante o lugar havia sido; mas por semanas a fio, não esquecera-se dos rostos inatingíveis e austeros dos santos.

________________________________

Edgar gostava do cheiro de flores e de velas. Especialmente de velas.

Sua mãe não era uma católica assídua: ensinou-lhe a ler a bíblia e acreditar em Deus, lhe ensinara a ir na Igreja, mas ela própria não possuía o hábito. Edgar não se importava; todas as semanas ele estava na Igreja, uma criança curiosa e quieta, com olhos atentos a tudo que o padre dizia.

O velho padre, chefe da paróquia, gostava muito de Edgar. Adorava os modos curiosos e fascinados do pequeno garoto, que prometia que seria padre quando crescesse. O velho sacerdote sempre afirmava que, para seguir uma vida cristã, não era necessário ser padre, mas viver de acordo com os princípios religiosos.

Edgar balançava a cabeça, concordando de um modo apressado, mas não mudava de ideia.

_________________________________

Edgar agora estava com doze anos. Era coroinha da Igreja, sério demais para sua idade, com poucos amigos, pois todos o achavam "esquisito demais".

Edgar não ligava.

Ele achava incrível a maneira como a religião poderia salvar vidas. Emocionara-se diversas vezes com depoimentos de pessoas dizendo o quão a fé em Deus lhes salvara de uma vida vazia e sem significado, o quão bem lhes fazia.

Agarrava-se à aquilo como um filhote faminto agarra-se ao leite da mãe para sobreviver.

Não suportava sequer pensar em uma existência sem esses elementos; sua vida já estava ligada com o sacerdócio.

Ele queria ser como os padres que iluminavam a vida daquelas pobres pessoas em desespero, lhe dando orientação e algo pelo qual lutar; ele queria poder salvar tantas almas quanto pudesse. Não conseguia pensar em uma vida melhor do que essa.

Seu coração de doze anos de idade aqueceu-se com esse pensamento.

____________________________________

Aos vinte e cinco anos, Edgar estava cheio de esperanças. 

Ainda faltava muito para ser padre, mas sentia que finalmente estava no caminho certo.

Nada era fácil, muitas vezes ele não possuía dinheiro nem para alimentar-se direito e um desânimo crescente brotava em seu peito.

Toda vez que lembrava-se disso, porém, o rosto do velho padre surgia em sua mente.

E logo ele voltava a sorrir.

_____________________________________

Edgar agora estava com trinta. 

Após tanto e tantos anos, finalmente acontecera; era um padre.

Após dificuldades familiares, financeiras, sociais, e de muitos outros tipos, conseguira conquistar aquilo pelo qual seu ser, no íntimo, sempre desejara.

Era ainda jovem, tão inexperiente, e ansioso pra mudar o mundo a seu modo.

Edgar estava feliz.

___________________________________

Edgar ainda gostava do cheiro de velas. Trinta e cinco anos ele agora tinha, e uma pequena experiência.

Aprendera muito, observara demais nesse meio tempo. Vira coisas que o revoltaram, que o  magoaram e que fizeram com que duvidasse do poder que essa instituição que tanto idolatrava possuía em salvar a vida das pessoas.

Mas Edgar não pensava em desistir; ele não estava mais com oito anos e sabia que corrupção existia em todos os cantos possíveis da terra. O que fazia diferença eram as pessoas boas, lutando pelos ideias corretos.

E ele estava determinado a ser uma dessas pessoas.

____________________________________

Edgar estava com quarenta e cinco anos. A velhice começava a demonstrar seus sinais em seu rosto cansado.

Ele continuava acreditando fervorosamente em Deus. Mas, tantas coisas ele vira, tantas coisas fizeram ele se decepcionar, que ele pensava estar cada vez menos convicto de seus ideiais.

Já era padre há quinze anos, e duvidava seriamente se conseguira salvar alguma alma em todo esse tempo.

O cheiro das velas já não importava muito para ele.

____________________________________

Os rostos severos das imagens dos santos que Edgar vira na capela gótica onde sua mãe o levara quando estava com cinco anos continuavam os mesmos, mas, no auge de seus cinquenta anos, Edgar não poderia achá-los mais diferentes.

Continuava sua vida de sacerdócio da mesma exata maneira que fazia há vinte anos. Com os mesmo sorrisos doces, com a mesma animação.

Mas já não era o mesmo.

As poucas pessoas que achava que havia conseguido salvar não significavam muito. Especialmente quando proclamavam o nome de Deus e discriminavam tudo e todos ao seu redor, com uma atitude de ódio que Edgar não saberia classificar senão como revoltante.

Afinal, que Deus gostaria que você odiasse seus irmãos porque eles são diferentes, se assim ele os criou?

Edgar, em seu íntimo, ainda gostava do cheiro das flores e das velas, e ainda acreditava na existência de um Deus. Acreditava em sua existência, mas não confiava nele.

Não confiava, pois não podia acreditar em um Deus que deixara morrer toda a fé que existira um dia em um garoto de doze anos. 

E Edgar previa que ela não fosse retornar.

Fim

P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.


19 de jan. de 2012

Postagem Especial de Aniversário - Conto Ilustrado - In Limbo

Olá amigos!

Hoje, 19 de janeiro, é uma data especial: o blog comemora um ano! (lembram-se da primeira postagem? Nem parece que faz um ano xD)
Em comemoração, teremos um post especial hoje: um conto ilustrado!
As ilustrações foram feitas pelo meu grande amigo, o Jeff (se vocês gostarem dos desenhos e quiserem fazer contato com ele, façam atrás do e-mail meeks.wolowitz@gmail.com): aliás, a ideia do tema central do texto foi dele. Esse é um projeto completamente duplo: fizemos, montamos e organizamos tudo juntos, até o título.
Então, espero que gostem do trabalho! Leiam, apreciem as ilustrações e comentem! :-)

In Limbo                                                                            Um Projeto Estranho Arquitetado por Duas Mentes Insanas
Ela abriu os olhos novamente, piscando-os rapidamente para que pudesse acordar do sonho que havia tido.
Sonho estranho, aliás, porém não incomum; já não era a primeira vez que sonhava com aquilo. Sua mãe chorando, seu namorado desesperado, e todos falando nela e querendo saber onde ela estava. E ela estava ao lado deles, que não conseguiam lhe ouvir. Era desesperador.
Após abrir os olhos, ela notou que não estava em casa, mas que não conseguia lembrar exatamente onde estava; tentou andar mais um pouco para ir para casa.
Estava fazendo frio, ela podia ver pela quantidade de pessoas com casacos pesados, porém ela não sentia frio algum. Enquanto estranhava isso, ela notou um rosto familiar à distância: seu namorado.
Ela apressou o passo e correu em sua direção, tentando abordá-lo: mas para sua surpresa, ele ignorou-a completamente. Ela tentou novamente falar com ele, que parecia tão triste e desconsolado! Mas sua única resposta foi o silêncio e ele indo para outro lugar.
Aquilo a deixou realmente magoada; eles sempre tinham brigas, mas não era comum ele ignorá-la desse jeito. Ficou tão chateada que nem percebeu que estava parada no meio da pista, e só notou quando uma moto veio em sua direção e passou por cima de seu pé; ela gritou por reflexo, mas em seguida, constatou que não sentira nada.

Foi nesse momento que ela viu que sim, havia algo de muito errado. Tentou se lembrar de onde estava no dia anterior, ou a semana anterior, e nada.
Um nó se formou em sua garganta, e ela deu meia volta, correndo de volta para o local onde acordara com um forte mau pressentimento se apoderando de si.
Como não se afastara muito, logo chegou, e saiu procurando por alguma coisa familiar; era tudo muito estranho. Um matagal sombrio, imenso e cheio de bichos. Foi entrando cada vez mais, até que notou algo embaixo de uma árvore que a fez estacar imediatamente.
Ela estava lá. Seu corpo estava lá.

Ela achou que estava ficando louca, porém correu na direção, e ao chegar perto, não tinha mais como duvidar; estava morta, e seu corpo estava lá.
Ajoelhou-se ao lado de si mesma, observando-a com choque; havia moscas em seu corpo, e outros bichos; sua pele já aparentava um tom azulado, havia diversos arranhões vermelhos em seu corpo e um corte enorme em sua barriga.
A causa da sua morte.
Então, ela se lembrou; se lembrou da discussão, de sair de casa no meio da noite querendo sumir do mundo, lembrou-se de parar naquele lugar tão estranho; lembrou-se de ser abordada, de ser espancada, de ser esfaqueada. Lembrou-se de ser morta.

E o pior é que sua essência continuava. Se tudo houvesse acabado seria melhor, mas de alguma forma, ela ainda existia.
Quando se deu conta, ela estava chorando desesperadamente, o que era estranho, chorar naquelas condições; tocou seu corpo, seus cabelos, suas pernas e continuou a chorar, cada vez mais.
Após cansar de chorar, ela sentou-se ao lado do seu corpo, pensando no que faria. Pensou tanto, que de alguma forma, perdeu a consciência.
******************************
Ao abrir os olhos dessa vez, ela lembrava-se que já não existia da forma como costumava existir; tanto que, só abriu os olhos por conta do barulho.
Vozes, sirenes, latidos de cachorro.
Ah, então finalmente recuperariam seu corpo.
******************************
Estar em seu próprio enterro era provavelmente a coisa mais estranha que ela já fizera.  E era tão sinistro e triste quanto podia imaginar.
As piores coisas foram ver o rosto de seu namorado, de sua mãe, de sua melhor amiga e seu pai; eram tão tristes, e tudo que ela queria gritar era “Eu estou bem aqui!”
Mas não importa quão alto ela gritasse: ninguém iria lhe ouvir. E o pensamento de que, não importava quanto eles estivessem sofrendo, logo todos se acostumariam a viver sem ela também doía. Quem disse que os mortos não podem sentir dor?
Após todos irem embora, ela sentou-se sobre uma lápide próxima de seu túmulo e ficou lá, sozinha. Após alguns minutos, seu namorado voltou e sentou-se em seu túmulo, sem, obviamente, saber que ela estava tão perto.

E ele começou a conversar com ela. Aquilo doeu, mais do que qualquer coisa, e ela queria tapar os ouvidos e gritar para que ele parasse, mas não adiantaria. E nada a impediu de ouvir ele dizer: 
- E eu vou continuar com minha vida, vou ter outras pessoas, talvez, mas eu nunca vou conseguir te esquecer. Por que você tinha que morrer?
E começou a chorar em seguida; e ela também.
Difícil dizer qual dos dois estava mais desesperado.
******************************
Depois que, definitivamente, todos foram embora, ela andou pelas ruas, por tudo, só pensando no que era a vida nesse novo estado.
Após tanto andar, tanto observar pessoas, um olhar lhe foi retribuído; alguém a viu.
Não era, afinal , a única morta do mundo; agora, já tinha ao menos uma informação para começar. Ou recomeçar, conforme ela concluiu, andando na direção do outro morto.

Fim 
P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e/ou com o meu parceiro artístico, o Jeff, e quando eu e/ou ele liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

27 de dez. de 2011

Conto - Lost Souls


Olá queridos leitores!

Esse será o último post do ano do blog, que mês que vem, completará um ano! :3

Obrigado a todos vocês que leem meus textos, especialmente aqueles que comentam. De coração!

E como não poderia deixar de ser nesse último... levemente depressivo. XD

Esse último, não tem trilha sonora. Mas indico ouvirem Doors enquanto leem. É uma boa :D

Lost Souls

Almas solitárias, perdidas, jogadas a mercê de si próprias, totalmente indefesas, morrendo dia após dia dentro de si mesmas, desejando que o hoje acabe de uma vez e que o amanhã nunca chegue.

Almas solitárias: são essas que estão dentro dos sorrisos mais radiantes e mais contagiantes. São essas que estão dentro das pessoas encolhidas e reservadas, muito rejeitadas por serem diferentes.

Perdidas, completamente perdidas, são almas em busca de um amor, de um ideal, de qualquer coisa que às faça pensar que um amanhã vale a pena, de que exista algo bom, alguma coisa pura, algo que faça com que queiram, continuar, porque continuar por si mesmo já não é suficiente.

Almas que sabem o que precisam fazer, mas não conseguem, não podem, não atingem. 

Almas sufocadas, que retém todos os seus desejos, suas ambições, com algum tipo de medo inexplicável e inevitável.

Almas atormentadas, que culpam a si mesmas pelos fracassos que não param de se repetir.

Almas fracas, fracas da necessidade de tentar de novo.

(Já não importa mais)

Almas que poderão encontrar alguma salvação, que poderão aprender algo com suas dores.

Almas que poderão ser brilhantes, se conseguirem.

(ou almas que fracassaram completamente, e se apagarão em um mar de inexistência, sem nada nem ninguém para lembrar-se que um dia elas existiram.)

Fim


P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

14 de dez. de 2011

Discografia: Syd Barrett

Olá pessoal (:

Temos uma nova discografia no site, esse mês. Trata-se de um dos meus cantores favoritos, primeiro vocalista da clássica banda Pink Floyd (cuja discografia postei aqui, lembram?), Syd Barrett.

Syd possui uma estranha e conturbada história, fato que fez com que sua carreira ficasse limitada. Mas, felizmente, temos dois excelentes álbuns solos dele, que estarei postando, junto a mais quatro compilações de seu trabalho, contendo faixas remixadas e inéditas.

Então, aproveitem pra conhecer um pouco sobre um dos principais representantes do rock psicodélico!

Biografia


Roger Keith Barrett, (Cambridge, 6 de Janeiro de 1946 — Cambridge, 7 de Julho de 2006), conhecido por Syd Barrett, foi um dos membros fundadores, em 1965, do grupo de rock progressivo Pink Floyd.

Originalmente era o vocalista, guitarrista e principal compositor da banda Pink Floyd, principalmente no seu primeiro álbum The Piper At The Gates Of Dawn(1967). Foi também o autor dos singles “See Emily Play” e “Arnold Layne”, e ainda de dois álbuns a solo. Foi também um guitarrista inovador, um dos primeiros a explorar completamente as capacidades sonoras da distorção e especialmente da recém desenvolvida máquina de eco e influenciou imensamente no movimento psicodélico.

Embora a sua atividade na música tenha sido reduzida, a sua influência nos músicos dos anos 60 (e das gerações seguintes) especialmente nos Pink Floyd, foi profunda.

À medida que a popularidade dos Floyd aumentava, assim como o consumo de drogas psicotrópicas por parte de Syd (especialmente LSD), a sua apresentação nos concertos tornava-se mais e mais imprevisível e o seu comportamento geral um estorvo para o sucesso da banda. Os problemas vieram ao de cima durante a primeira digressão do grupo pelos Estados Unidos no fim de 1967, Syd começou a ficar extremamente difícil e cada vez mais ausente; tendo essa ausência e o seu estranho comportamento começado a causar problemas ao grupo.

Continue lendo aqui!

Discografia

The Madcap Laughs (1970)

Download pelo Mediafire, pelo 4shared ou pelo Hotfile

Barrett (1970)

Download pelo Mediafire, pelo 4shared ou pelo Hotfile

COMPILAÇÕES: 

Opel (1989)

Download pelo Mediafire, pelo 4shared ou pelo Hotfile

The Best of Syd Barrett - Wouldn't You Miss Me? (2001)


Download pelo Mediafire, pelo 4shared ou pelo Hotfile

The Radio One Sessions (2004) 











Download pelo Mediafire, pelo 4shared ou pelo Hotfile

An Introduction To Syd Barrett (2010)












Download pelo Mediafire, pelo 4shared ou pelo Hotfile 

8 de dez. de 2011

Conto - You're In The Air

Olá!

Após duas semanas... conto novo!

Desculpem pela ausência, ando meio enrolada. Mas teremos crítica e discografia nova, nas próximas semanas ^^

Esse depressivo novo conto chama-se "You're In The Air" por conta de uma faixa da banda "R.E.M." de mesmo nome. Recomendo ouvir a faixa durante a leitura. Poderão ouvi-la pelo YouTube, ou baixá-la/ouvir pelo 4shared. Se vocês não conseguem ouvir música enquanto leem e se concentrar em ambos, ouçam após lerem, pra entrar no clima. ^^

E antes que eu me esqueça: obrigada ao meu maninho lindo Jeff, por ter corrigido algumas coisinhas do texto! *__*

Então, sem mais... leiam! E não se esqueçam de comentar, porque é importante para os autores, viu?


You’re In The Air


Não importava para que lado olhasse. Não importava se era direita, esquerda, frente ou trás. Qualquer lugar lhe sufocava. O ar parecia feito de chumbo, não conseguia respirar plenamente.

Claro que isso era uma linguagem figurada; não estava realmente morrendo por sufocamento. Isso era uma visão do que sentia no momento atual, uma metáfora para refletir quanta angústia existia dentro de si.

O ar era pesado. Sufocava-lhe. Não podia relaxar, não podia esquecer. E oras, não era costume seu refugiar-se nas lembranças, na vida dos outros, nos personagens dos filmes e livros que devorava, buscando um sentido para sua própria vida?

Era melhor viver a vida deles do que a própria.

Não sabia que espécie de humano defeituoso era. Não importava o que acontecesse, no fim, parecia que sempre voltava à tristeza, como se estivesse escrita com fogo em sua alma, como se fosse o estado de espírito natural de seu ser. E apostava que era.

Apatia. Tristeza. Raiva. Tristeza. Felicidade. Tristeza. Euforia. Tristeza. Apatia...

Nada, ou ninguém era capaz de quebrar esse círculo vicioso, assim pensava. Uma amizade, um passeio no parque, um animal de estimação, um amor. Nada.

Um amor. Fechou os olhos. O amor também, gloriosa maldição que era, lhe assombrava. Podia senti-lo. Estava lá. Como se a pessoa amada estivesse no ar, ela lhe respirava e tudo que sentia por ela.

A cada maldito segundo de sua vida. Respirando amor, tristeza e insanidade.

O que só lhe proporcionava mais ainda a sensação de sufocamento.

Sentia nada. Sentia tudo.

(Tudo o atingia.)

Era um completo nada.

Era o tudo. O tudo de alguém.

Era só mais uma pessoa, entre milhares por aí, perdendo0se dentro de si, sem saber se acharia uma fuga.

Sem se dar conta disso. Sem ligar pra isso.

Afinal, não importava pra onde corresse; estava no ar.

E sabia que não poderia nunca parar de respirar.

Fim

P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.