8 de mar. de 2012

Conto - Only Women Bleed

Olá pessoal!
Venho com mais um conto estranho, Only Women Bleed (título tirado da música do Alice Cooper - original aqui, e um trechinho com o Guns N' Roses aqui). Minha inspiração para escrever não foi essa música, mas acho que ela se encaixou bem :-)
Então já sabem... leiam e comentem, aproveitem :-)


Only Women Bleed

Cinthia tinha cabelos pretos.

Roberta tinha olhos azuis.

Martha gostava de andar com bolsas a tiracolo.

Luiza gostava de andar pela rua com os fones de ouvido.

Os pais de Cinthia se separaram quando ela tinha apenas 9 anos.

Os pais de Roberta ainda estavam juntos, em um casamento fracassado mas mantido para o bem das aparências.

Martha era casada e gostaria de ter um casal de filhos, mas não agora.

Luiza morava com o namorado há seis meses, e não queria saber de filhos.

Cinthia era católica fervorosa há anos, e não passava uma semana sem ir para a Igreja.

Roberta era ateísta desde os quinze anos.

Martha acreditava em Deus, mas não em religiões e muito menos em dogmas severos, seja qual instituição religiosa que os prega.

Luiza era umbandista, levava sua religião a sério, mas não era muito ligada à frequência e regras da mesma.

Cinthia gostava de gatos. Associava-os com uma infância feliz e gostosa nos subúrbios, ainda que um tanto solitária.

Roberta gostava de cães, Lembravam-na do namorado de sua adolescência, que tanto amara.

Martha não gostava de beber, mas gostava de cigarros. Sua adolescência difícil encontrara consolo neles, e não pararia tão cedo, mesmo que isso lhe custasse a saúde.

Luiza abominava cigarros, mas adorava álcool. Uma das poucas coisas no mundo capaz de driblar sua timidez, por isso usava e abusava dele. 

Cinthia amava motos. Amava a sensação de liberdade que elas lhe davam, amava o vento no rosto, e até a chuva gelada. Amava até o cheiro da gasolina que ela soltava.

Roberta odiava o cheiro de gasolina porque lhe dava enjoo. Desde criança, e por essa razão, não gostava de andar de carro. Não que os ônibus fossem muito melhores, mas o cheiro era menor.

Martha tentara se suicidar três vezes na adolescência. Comprimidos por duas vezes, e em uma tentou cortar os pulsos. Não estava totalmente recuperada da depressão, mas conseguia encontrar mais motivos para viver agora.

Luiza teve uma adolescência relativamente boa, mas frustrada. Na idade dos vinte anos, entrou em depressão profunda, mas nunca tentou se matar; gostava muito dos pais para fazê-lo. Três anos se passaram, e ela ainda não estava completamente boa.

Cinthia gostava de olhares apaixonados.

Roberta gostava de sorrisos sinceros.

Martha apreciava os pequenos momentos de silêncio durante o dia, onde poderia escutar o som da própria respiração sem interrupções.

Luiza gostava de barulho, pois era muito mais fácil misturar-se à multidão e fingir que era invisível.

Cinthia sabia tocar piano. Um dos maiores prazeres da sua vida era tocar como uma fúria desesperadora o terceiro movimento da Appassionata de Beethoven e ver os olhares de admiração a sua volta.

Roberta gostava de guitarras. Demorou muito para aprender a tocar uma, mas assim que dominou a técnica, exibia sua Les Paul com todo o orgulho do mundo.

Martha amava filmes. Era como se fossem a única coisa em sua vida que fazia sentido: Bette Davis estapeando Joan Crawford em "O Que Terá Acontecido a Baby Jane?", o sorriso ingenuamente malicioso de Malcolm McDowell em "Laranja Mecânica", ou o brado da multidão após o discurso de Chaplin em "O Grande Ditador": eles, todos eles teriam lhe entendido.

Luiza era uma devoradora de livros. Consumia-os em um espaço de tempo muito curto, e com um deleite imenso; tal como Dorian Gray, era como se os personagens de todas aquelas tramas fantasiosas repetissem seus pecados e tentações. Talvez por isso ela amasse cada página.

Cinthia, Roberta, Martha, Luiza. Todas moravam na mesma cidade. Todas pegaram o ônibus naquela mesma manhã. Não se conheciam.

Cinthia pensou desapontada consigo mesma que deveria ter trazido o batom. Após comer, ele com certeza iria sair quase que totalmente. Mas resolveu deixar de lado.

Roberta pensava que não devia ter exagerado tanto no delineador. Provavelmente estava ridículo.

Martha pensava na torta de limão que esquecera em cima da mesa. Provavelmente as formigas iriam encontrá-la, era seu pensamento pesaroso.

Luiza pensou que era uma péssima hora pra bateria de seu celular acabar. Que hora pra ficar sem música!

Cinthia, Roberta, Martha, Luiza. Foram jogadas para o mesmo canto, com a mesma violência e ao mesmo tempo, quando o ônibus colidiu violentamente com outro ônibus. 

Uma por cima da outra, e o sangue que se começava a sair dos cortes de cada uma delas misturava-se: sangue de Martha e sangue de Roberta, sangue de Luiza e sangue de Cinthia, como se fossem a mesma pessoa.
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Quando o socorro chegou e viu as quatro mulheres no canto, um dos rapazes gritando "Acho que essas quatro ainda estão vivas!", elas estavam tão assustadoramente parecidas, que jamais poderia-se adivinhar as diferenças de suas vidas ao vê-las tão próximas. Afinal, não é na morte e nas adversidades que vemos, tarde demais, que somos todos iguais por sermos diferentes?

Cinthia, Roberta, Martha, Luiza. Quatro almas, quatro vidas, todas iguais por serem diferentes.

Fim

P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

29 de fev. de 2012

Poema - Pack Of Lies

Olá pessoas!

Estou postando aqui um antigo poema meu, 'Pack of Lies'. O título veio de um trecho de uma música do Placebo, Without You I'm Nothing (link no 4shared e no Youtube, caso queiram ouvir enquanto estiverem lendo). 

Ahhh, um lembrete: caso tenham um tumblr, eu postei esse conto lá também, nesse post aqui, reblogs são bem vindos. ^_^

Não me acho muito boa com poemas, mas mesmo assim... enjoy! (:

Pack of Lies

Eu fecho os olhos, e vejo tudo negro;

vejo a escuridão,

vejo a desesperança e o vazio.

Então, eu abro meus olhos.



Eu fecho os olhos, e vejo você;

vejo todo o amor que sinto por você,

e vejo a ruína que isso pode me trazer,

vejo o medo de amar alguém tanto assim;

Então, eu abro meus olhos.



Eu fecho os olhos, e não vejo nada;

vejo e não vejo minha vida passando como um mapa,

me guiando e não guiando em direção a existência

da carência de alguma coisa a mim segregada.

Então, eu abro meus olhos.



Eu fecho os olhos, e vejo o negro, vejo o nada, vejo você.

Ainda há a desesperança, ainda há a escuridão,

ainda há o nada, ainda há o medo;

mas ainda há você, e ainda há o que sinto por você.

Então, mantenho meus olhos fechados.

Fim


P.S.: se você gostou do poema e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

7 de fev. de 2012

Conto - Losing My Religion


Olá a todos!
Venho hoje com um novo conto, intitulado "Losing My Religion". Sim, o nome vem da música do R.E.M. Recomendo ouvir quando ler; podem baixar/ouvir pelo 4shared ou pelo Youtube.
Quero comentários assim que lerem... boa leitura!

Losing My Religion

Edgar sempre fora, desde criança, uma alma voltada para Deus.

Uma de suas primeiras recordações era de, por volta de seus cinco anos, sua mãe levando-o à uma igreja. Lembrava-se de ter ficado fascinado pelas cores e formas da catedral em estilo gótico, pelos rostos sérios e pelas imagens dos santos. E o que mais lhe chamara a atenção era o rosto do Cristo em um imenso crucifixo de madeira, em cima do altar. Assustara-lhe, e ao mesmo tempo, lhe fascinara.

Em sua afobação infantil, não comentara com sua mãe o quão fascinante o lugar havia sido; mas por semanas a fio, não esquecera-se dos rostos inatingíveis e austeros dos santos.

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Edgar gostava do cheiro de flores e de velas. Especialmente de velas.

Sua mãe não era uma católica assídua: ensinou-lhe a ler a bíblia e acreditar em Deus, lhe ensinara a ir na Igreja, mas ela própria não possuía o hábito. Edgar não se importava; todas as semanas ele estava na Igreja, uma criança curiosa e quieta, com olhos atentos a tudo que o padre dizia.

O velho padre, chefe da paróquia, gostava muito de Edgar. Adorava os modos curiosos e fascinados do pequeno garoto, que prometia que seria padre quando crescesse. O velho sacerdote sempre afirmava que, para seguir uma vida cristã, não era necessário ser padre, mas viver de acordo com os princípios religiosos.

Edgar balançava a cabeça, concordando de um modo apressado, mas não mudava de ideia.

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Edgar agora estava com doze anos. Era coroinha da Igreja, sério demais para sua idade, com poucos amigos, pois todos o achavam "esquisito demais".

Edgar não ligava.

Ele achava incrível a maneira como a religião poderia salvar vidas. Emocionara-se diversas vezes com depoimentos de pessoas dizendo o quão a fé em Deus lhes salvara de uma vida vazia e sem significado, o quão bem lhes fazia.

Agarrava-se à aquilo como um filhote faminto agarra-se ao leite da mãe para sobreviver.

Não suportava sequer pensar em uma existência sem esses elementos; sua vida já estava ligada com o sacerdócio.

Ele queria ser como os padres que iluminavam a vida daquelas pobres pessoas em desespero, lhe dando orientação e algo pelo qual lutar; ele queria poder salvar tantas almas quanto pudesse. Não conseguia pensar em uma vida melhor do que essa.

Seu coração de doze anos de idade aqueceu-se com esse pensamento.

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Aos vinte e cinco anos, Edgar estava cheio de esperanças. 

Ainda faltava muito para ser padre, mas sentia que finalmente estava no caminho certo.

Nada era fácil, muitas vezes ele não possuía dinheiro nem para alimentar-se direito e um desânimo crescente brotava em seu peito.

Toda vez que lembrava-se disso, porém, o rosto do velho padre surgia em sua mente.

E logo ele voltava a sorrir.

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Edgar agora estava com trinta. 

Após tanto e tantos anos, finalmente acontecera; era um padre.

Após dificuldades familiares, financeiras, sociais, e de muitos outros tipos, conseguira conquistar aquilo pelo qual seu ser, no íntimo, sempre desejara.

Era ainda jovem, tão inexperiente, e ansioso pra mudar o mundo a seu modo.

Edgar estava feliz.

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Edgar ainda gostava do cheiro de velas. Trinta e cinco anos ele agora tinha, e uma pequena experiência.

Aprendera muito, observara demais nesse meio tempo. Vira coisas que o revoltaram, que o  magoaram e que fizeram com que duvidasse do poder que essa instituição que tanto idolatrava possuía em salvar a vida das pessoas.

Mas Edgar não pensava em desistir; ele não estava mais com oito anos e sabia que corrupção existia em todos os cantos possíveis da terra. O que fazia diferença eram as pessoas boas, lutando pelos ideias corretos.

E ele estava determinado a ser uma dessas pessoas.

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Edgar estava com quarenta e cinco anos. A velhice começava a demonstrar seus sinais em seu rosto cansado.

Ele continuava acreditando fervorosamente em Deus. Mas, tantas coisas ele vira, tantas coisas fizeram ele se decepcionar, que ele pensava estar cada vez menos convicto de seus ideiais.

Já era padre há quinze anos, e duvidava seriamente se conseguira salvar alguma alma em todo esse tempo.

O cheiro das velas já não importava muito para ele.

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Os rostos severos das imagens dos santos que Edgar vira na capela gótica onde sua mãe o levara quando estava com cinco anos continuavam os mesmos, mas, no auge de seus cinquenta anos, Edgar não poderia achá-los mais diferentes.

Continuava sua vida de sacerdócio da mesma exata maneira que fazia há vinte anos. Com os mesmo sorrisos doces, com a mesma animação.

Mas já não era o mesmo.

As poucas pessoas que achava que havia conseguido salvar não significavam muito. Especialmente quando proclamavam o nome de Deus e discriminavam tudo e todos ao seu redor, com uma atitude de ódio que Edgar não saberia classificar senão como revoltante.

Afinal, que Deus gostaria que você odiasse seus irmãos porque eles são diferentes, se assim ele os criou?

Edgar, em seu íntimo, ainda gostava do cheiro das flores e das velas, e ainda acreditava na existência de um Deus. Acreditava em sua existência, mas não confiava nele.

Não confiava, pois não podia acreditar em um Deus que deixara morrer toda a fé que existira um dia em um garoto de doze anos. 

E Edgar previa que ela não fosse retornar.

Fim

P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.


19 de jan. de 2012

Postagem Especial de Aniversário - Conto Ilustrado - In Limbo

Olá amigos!

Hoje, 19 de janeiro, é uma data especial: o blog comemora um ano! (lembram-se da primeira postagem? Nem parece que faz um ano xD)
Em comemoração, teremos um post especial hoje: um conto ilustrado!
As ilustrações foram feitas pelo meu grande amigo, o Jeff (se vocês gostarem dos desenhos e quiserem fazer contato com ele, façam atrás do e-mail meeks.wolowitz@gmail.com): aliás, a ideia do tema central do texto foi dele. Esse é um projeto completamente duplo: fizemos, montamos e organizamos tudo juntos, até o título.
Então, espero que gostem do trabalho! Leiam, apreciem as ilustrações e comentem! :-)

In Limbo                                                                            Um Projeto Estranho Arquitetado por Duas Mentes Insanas
Ela abriu os olhos novamente, piscando-os rapidamente para que pudesse acordar do sonho que havia tido.
Sonho estranho, aliás, porém não incomum; já não era a primeira vez que sonhava com aquilo. Sua mãe chorando, seu namorado desesperado, e todos falando nela e querendo saber onde ela estava. E ela estava ao lado deles, que não conseguiam lhe ouvir. Era desesperador.
Após abrir os olhos, ela notou que não estava em casa, mas que não conseguia lembrar exatamente onde estava; tentou andar mais um pouco para ir para casa.
Estava fazendo frio, ela podia ver pela quantidade de pessoas com casacos pesados, porém ela não sentia frio algum. Enquanto estranhava isso, ela notou um rosto familiar à distância: seu namorado.
Ela apressou o passo e correu em sua direção, tentando abordá-lo: mas para sua surpresa, ele ignorou-a completamente. Ela tentou novamente falar com ele, que parecia tão triste e desconsolado! Mas sua única resposta foi o silêncio e ele indo para outro lugar.
Aquilo a deixou realmente magoada; eles sempre tinham brigas, mas não era comum ele ignorá-la desse jeito. Ficou tão chateada que nem percebeu que estava parada no meio da pista, e só notou quando uma moto veio em sua direção e passou por cima de seu pé; ela gritou por reflexo, mas em seguida, constatou que não sentira nada.

Foi nesse momento que ela viu que sim, havia algo de muito errado. Tentou se lembrar de onde estava no dia anterior, ou a semana anterior, e nada.
Um nó se formou em sua garganta, e ela deu meia volta, correndo de volta para o local onde acordara com um forte mau pressentimento se apoderando de si.
Como não se afastara muito, logo chegou, e saiu procurando por alguma coisa familiar; era tudo muito estranho. Um matagal sombrio, imenso e cheio de bichos. Foi entrando cada vez mais, até que notou algo embaixo de uma árvore que a fez estacar imediatamente.
Ela estava lá. Seu corpo estava lá.

Ela achou que estava ficando louca, porém correu na direção, e ao chegar perto, não tinha mais como duvidar; estava morta, e seu corpo estava lá.
Ajoelhou-se ao lado de si mesma, observando-a com choque; havia moscas em seu corpo, e outros bichos; sua pele já aparentava um tom azulado, havia diversos arranhões vermelhos em seu corpo e um corte enorme em sua barriga.
A causa da sua morte.
Então, ela se lembrou; se lembrou da discussão, de sair de casa no meio da noite querendo sumir do mundo, lembrou-se de parar naquele lugar tão estranho; lembrou-se de ser abordada, de ser espancada, de ser esfaqueada. Lembrou-se de ser morta.

E o pior é que sua essência continuava. Se tudo houvesse acabado seria melhor, mas de alguma forma, ela ainda existia.
Quando se deu conta, ela estava chorando desesperadamente, o que era estranho, chorar naquelas condições; tocou seu corpo, seus cabelos, suas pernas e continuou a chorar, cada vez mais.
Após cansar de chorar, ela sentou-se ao lado do seu corpo, pensando no que faria. Pensou tanto, que de alguma forma, perdeu a consciência.
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Ao abrir os olhos dessa vez, ela lembrava-se que já não existia da forma como costumava existir; tanto que, só abriu os olhos por conta do barulho.
Vozes, sirenes, latidos de cachorro.
Ah, então finalmente recuperariam seu corpo.
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Estar em seu próprio enterro era provavelmente a coisa mais estranha que ela já fizera.  E era tão sinistro e triste quanto podia imaginar.
As piores coisas foram ver o rosto de seu namorado, de sua mãe, de sua melhor amiga e seu pai; eram tão tristes, e tudo que ela queria gritar era “Eu estou bem aqui!”
Mas não importa quão alto ela gritasse: ninguém iria lhe ouvir. E o pensamento de que, não importava quanto eles estivessem sofrendo, logo todos se acostumariam a viver sem ela também doía. Quem disse que os mortos não podem sentir dor?
Após todos irem embora, ela sentou-se sobre uma lápide próxima de seu túmulo e ficou lá, sozinha. Após alguns minutos, seu namorado voltou e sentou-se em seu túmulo, sem, obviamente, saber que ela estava tão perto.

E ele começou a conversar com ela. Aquilo doeu, mais do que qualquer coisa, e ela queria tapar os ouvidos e gritar para que ele parasse, mas não adiantaria. E nada a impediu de ouvir ele dizer: 
- E eu vou continuar com minha vida, vou ter outras pessoas, talvez, mas eu nunca vou conseguir te esquecer. Por que você tinha que morrer?
E começou a chorar em seguida; e ela também.
Difícil dizer qual dos dois estava mais desesperado.
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Depois que, definitivamente, todos foram embora, ela andou pelas ruas, por tudo, só pensando no que era a vida nesse novo estado.
Após tanto andar, tanto observar pessoas, um olhar lhe foi retribuído; alguém a viu.
Não era, afinal , a única morta do mundo; agora, já tinha ao menos uma informação para começar. Ou recomeçar, conforme ela concluiu, andando na direção do outro morto.

Fim 
P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e/ou com o meu parceiro artístico, o Jeff, e quando eu e/ou ele liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

27 de dez. de 2011

Conto - Lost Souls


Olá queridos leitores!

Esse será o último post do ano do blog, que mês que vem, completará um ano! :3

Obrigado a todos vocês que leem meus textos, especialmente aqueles que comentam. De coração!

E como não poderia deixar de ser nesse último... levemente depressivo. XD

Esse último, não tem trilha sonora. Mas indico ouvirem Doors enquanto leem. É uma boa :D

Lost Souls

Almas solitárias, perdidas, jogadas a mercê de si próprias, totalmente indefesas, morrendo dia após dia dentro de si mesmas, desejando que o hoje acabe de uma vez e que o amanhã nunca chegue.

Almas solitárias: são essas que estão dentro dos sorrisos mais radiantes e mais contagiantes. São essas que estão dentro das pessoas encolhidas e reservadas, muito rejeitadas por serem diferentes.

Perdidas, completamente perdidas, são almas em busca de um amor, de um ideal, de qualquer coisa que às faça pensar que um amanhã vale a pena, de que exista algo bom, alguma coisa pura, algo que faça com que queiram, continuar, porque continuar por si mesmo já não é suficiente.

Almas que sabem o que precisam fazer, mas não conseguem, não podem, não atingem. 

Almas sufocadas, que retém todos os seus desejos, suas ambições, com algum tipo de medo inexplicável e inevitável.

Almas atormentadas, que culpam a si mesmas pelos fracassos que não param de se repetir.

Almas fracas, fracas da necessidade de tentar de novo.

(Já não importa mais)

Almas que poderão encontrar alguma salvação, que poderão aprender algo com suas dores.

Almas que poderão ser brilhantes, se conseguirem.

(ou almas que fracassaram completamente, e se apagarão em um mar de inexistência, sem nada nem ninguém para lembrar-se que um dia elas existiram.)

Fim


P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

14 de dez. de 2011

Discografia: Syd Barrett

Olá pessoal (:

Temos uma nova discografia no site, esse mês. Trata-se de um dos meus cantores favoritos, primeiro vocalista da clássica banda Pink Floyd (cuja discografia postei aqui, lembram?), Syd Barrett.

Syd possui uma estranha e conturbada história, fato que fez com que sua carreira ficasse limitada. Mas, felizmente, temos dois excelentes álbuns solos dele, que estarei postando, junto a mais quatro compilações de seu trabalho, contendo faixas remixadas e inéditas.

Então, aproveitem pra conhecer um pouco sobre um dos principais representantes do rock psicodélico!

Biografia


Roger Keith Barrett, (Cambridge, 6 de Janeiro de 1946 — Cambridge, 7 de Julho de 2006), conhecido por Syd Barrett, foi um dos membros fundadores, em 1965, do grupo de rock progressivo Pink Floyd.

Originalmente era o vocalista, guitarrista e principal compositor da banda Pink Floyd, principalmente no seu primeiro álbum The Piper At The Gates Of Dawn(1967). Foi também o autor dos singles “See Emily Play” e “Arnold Layne”, e ainda de dois álbuns a solo. Foi também um guitarrista inovador, um dos primeiros a explorar completamente as capacidades sonoras da distorção e especialmente da recém desenvolvida máquina de eco e influenciou imensamente no movimento psicodélico.

Embora a sua atividade na música tenha sido reduzida, a sua influência nos músicos dos anos 60 (e das gerações seguintes) especialmente nos Pink Floyd, foi profunda.

À medida que a popularidade dos Floyd aumentava, assim como o consumo de drogas psicotrópicas por parte de Syd (especialmente LSD), a sua apresentação nos concertos tornava-se mais e mais imprevisível e o seu comportamento geral um estorvo para o sucesso da banda. Os problemas vieram ao de cima durante a primeira digressão do grupo pelos Estados Unidos no fim de 1967, Syd começou a ficar extremamente difícil e cada vez mais ausente; tendo essa ausência e o seu estranho comportamento começado a causar problemas ao grupo.

Continue lendo aqui!

Discografia

The Madcap Laughs (1970)

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Barrett (1970)

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COMPILAÇÕES: 

Opel (1989)

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The Best of Syd Barrett - Wouldn't You Miss Me? (2001)


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The Radio One Sessions (2004) 











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An Introduction To Syd Barrett (2010)












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