10 de mar. de 2011

Conto - My Immortal

Oi!
O texto de hoje é um conto, um pouco estranho e diferente do que costumo escrever; eu não gosto muito dele, e até hoje só mostrei para duas pessoas. Leiam, e me digam sinceramente o que acharam dele. (:

My Immortal

Elizabeth demorou algum tempo para perceber, mas se tornara uma suicida em potencial. Talvez essa não seja a melhor palavra para descrever sua situação. Pois não era como se ela fosse se matar, pois achava que não teria sangue frio o suficiente para ir até o fim, mas aos poucos, foi matando a sua vontade de 
viver. De fato, passou muito tempo incógnito tal fato para ela.

Talvez esse aspecto sobre sua vida só tenha se tornado realmente mais claro durante uma aula, com suas crianças de 10 anos.

Elizabeth era professora já fazia uns 7 anos. E nem mesmo a profissão lhe dava razão para ver sentido na vida. Num dia monótono, seguindo o cronograma das aulas, perguntou com voz sem emoção para seus alunos:

“Então crianças, na atividade de hoje, você vão ter que fazer um desenho explicando o que vocês querem ser quando crescer, junto a um texto. E se alguém colocar “quero ser grande”, vai levar um zero.” – disse enquanto distribuía as folhas às crianças.

Em seu típico alvoroço e afobação infantil, as crianças conversavam em voz outra e se puseram a fazer a tarefa pedida. Elizabeth somente sentou-se na sua mesa. De relance olhou para o espelho jogado de forma aleatória em sua bolsa, fitando seu rosto: costumava achar-se bela, e assim os outros também. Mas agora, os longos cabelos pretos lisos, os enigmáticos olhos cor de tempestade, a feição suave delineada pelos lábios carnudos e o nariz pequeno, no corpo esguio e magro, que só abriam exceção em certas curvas, não significava nada para ela. Não achava a jovem do espelho bonita ou interessante. Só vazia.

Voltou-se a alguns papéis dispostos em sua mesa, torcendo pra aula acabar logo, mas não sabendo o que fazer quando ela terminasse. Enfim, o sinal tocou e as crianças entregaram-lhe o trabalho, e saíram afobadas para ir para casa.

Decidiu analisar brevemente os trabalhos, vendo qual era a ambição daquelas crianças.

“Quero ser professora”, leu em o de uma menina. “Quero ser advogado”, “Quero ser médica”, “Quero ser Engenheiro”, entre várias outras opções.

“Tão ingênuas” – Elizabeth pensou. “Acham que a vida é assim. Vão escolher uma profissão, se formarem, casarem-se, serem felizes. No final nada dá certo. E a unica coisa certa é que nada do que você quer dá certo.” – pensou com amargura.

Sua consciência então se deu conta de tantos pensamentos amargos. Era sua vida contada em poucas palavras. Diante daqueles trabalhos infantis, Elizabeth percebeu que perdera terrivelmente o gosto pela vida. Vinte e nove anos, mas a carga parecia que pesava como se ela tivesse sessenta.

Deu um sorriso amargo para si mesma... “Não é nenhuma grande surpresa.”

Saiu, observando tantas crianças saindo com os pais, e a tarde chegando ao fim. Então, resolveu caminhar um pouco, coisa que não fazia há tempos.

Mas sua mente estava tão fora de foco que andou, andou, e quando deu por si já era noite. Olhou para o alto, vendo milhares de pontinhos de luzes, e a grande lua, observando-a do alto.

Ótimo, pensou ela, ótimo, andando na rua de noite, uma mulher sozinha, correndo o sério risco de ser assaltada ou morta. Com outro traço de amargura, viu que não se importava em nada com isso.

Parou em uma ponte modesta, e encostou-se na amurada, com um grande suspiro.

Quando foi que me transformei nesse ser vazio?
Por que as coisas são tão difíceis?
Por que nada mais faz sentido?

“Pensando na vida?” – uma voz atrás de si assustou-a e a despertou para a vida.

Uma jovem, provavelmente com uns 14 anos, olhava-a com interesse. Cabelos castanho-claros, quase loiros, levemente ondulados e na altura dos ombros, e com olhos âmbar, ela tinha as feições doces e quase infantis, e o corpo indefinido e quase andrógino de uma adolescente.

Sobressaltada com o susto, mas com uma ponta de irritação, perguntou numa voz impaciente:

“E o que isso lhe interessa?”

“Nada – a jovem, com uma voz suave, respondeu – mas acho difícil uma pessoa estar fazendo outra coisa numa ponte, parada por mais de dez minutos olhando para o nada.”

“Há mais de dez minutos? Esteve me espionando?” – pretendeu dizer com raiva, mas saiu mais próximo a um sarcasmo.

“Não minha cara, não seja tão pretensiosa.” – zombou numa risada suave – “Mas essa é a minha ponte, e esperei um tempo para ver se você estava de passagem, mas percebi que não é o caso.”

“Sua ponte? Por acaso, a comprou? Ou é seu lugar secreto também para meditações?” – disse sem emoção na voz.

“Não senhorita... errou de novo. Mas é meu ponto de observação.”

“De quem?” – perguntou com ligeira curiosidade.

“Delas” – disse, apontando para o céu.

 Elizabeth olhou. Mas tudo o que viu foram as reluzentes estrelas.

“Delas quem?”

“Delas, oras – a jovem disse um tanto impaciente – das estrelas.”

“Estrelas... por acaso, você quer ser astróloga quando crescer? Astrônoma?” – disse com sarcasmo, lembrando-se de seus alunos.

“Não, minhas inquietações são maiores. Só quero ser imortal.”

Nesse instante, teve certeza que a jovem zombava abertamente dela, e virou-se bruscamente para encará-la. 

Mas viu o rosto dela, e percebeu que ela falara sério.

“Você é idiota ou o que? Não é nenhuma criancinha. Sabe que isso é impossível.”

“Pergunto-me o que acontece com as pessoas em determinado ponto da vida” – disse a jovem, ignorando a pergunta e encarando-a como quem comenta o tempo. –“Parece que simplesmente se esquecem de como é a sensação de viver.”

Elizabeth pareceu levar um soco no estômago. Sua amargura estaria tão óbvia, mesmo a uma completa 
desconhecida? Mas recompondo-se rapidamente, disse:

“Olhe a sua idade, menina. O que pode falar sobre a vida ou como viver? Quantas decepções você sofreu? Tem alguma idéia do que é aguentar o fardo de viver, às vezes? E ainda quer ser imortal, uma vida é o bastante para sofrer.”

“Posso saber mais do que você – disse a jovem com um sorriso presunçoso – que enxerga amargura em tudo. Sabe, há mais de uma maneira de ser imortal.”

“Então me cite outro exemplo de imortalidade.”

“Olhe a lua. Olhe as estrelas. Elas são imortais, de seu modo.”

“Não, as estrelas não são imortais. Duram milhares, milhões de anos. Mas um dia também vão morrer. Como tudo que existe. E só vai sobrar o nada.”

“A sua mente é tão limitada. Olha ali – pegou a mão de Elizabeth e apontou-a em uma direção. Canis Major. – sorriu com óbvio prazer ao observar a constelação - E ali – pegou sua mão de novo – Sirius. A estrela mais brilhante do céu.”

 “Sabe – Elizabeth disse, depois de puxar a mão de novo – Nunca entendi a fascinação das pessoas pelas estrelas. São pontos brilhantes, a milhões de quilômetros de distância, que já existiam antes de você nascer e continuarão a existir quando você morrer. E em nada interferem em sua vida.”

“Está melhorando, sabe. Primeira e segunda alternativa, corretas. A terceira, eu já não tenho tanta certeza assim.”

“Acredita no poder das estrelas, então?” – disse ceticamente.

“De certa forma... – deu de ombros – Olhe a Lua agora. Cheia. Em toda a sua beleza e calor. Ou frieza. Ela pode ‘morrer’ um dia – fez sinal de aspas com as mãos -, mas vai continuar sendo imortal. Assim como a Canis Major, assim como Sirius, Adhara e Wezen, e o resto das estrelas”  

Elizabeth olhou-a como se tivesse certeza que a jovem à sua frente era completamente louca.

“Mas o que...”

“Sabe – ela cortou-a com delicadeza – verdadeiramente imortais. Não só elas conseguiram esse feito. Algumas pessoas também já conseguiram ser assim.”

“Você é completamente louca” – Elizabeth crispou de raiva, e fez menção de sair dali.

“Qual é a etimologia da palavra imortalizar?” – a jovem perguntou num tom tão sereno que pegou Elizabeth de surpresa.

Mas, lembrando-se de sua época escolar, saudou-a com a definição:

“Tornar-se imortal. Eternizar na memória dos homens. Imorredouro.”

“Exato” – a jovem deu um sorriso doce e sereno. “Eternizar-se na memória dos homens. Mas não como um feito histórico ou arrogante. Sabe... como é mesmo o seu nome?”

“Elizabeth.” – respondeu seca.

“Sabe, Elizabeth – continuou calmamente – Quero ser imortal. Imortal como a Lua, ou como Sirius e Adhara. Sabe como elas são imortais, Elizabeth?”

Continuou sem esperar uma resposta:

“Pois eu lhe direi, Elizabeth. Sabe... – a jovem passou as mãos pelo cabelo – elas são imortais pelo que são. Pela sua importância. Pelo seu valor. Por fazer algo, ou por representar algo... ou somente por ser algo. Eu quero que as pessoas me amem, e depois que eu morrer, eu quero que elas sem lembrem de mim, se lembrem do que eu fiz e do que eu fui. Aí minha cara, eu saberei que me tornei imortal.”

Elizabeth parou por alguns segundos para considerar as palavras dela. De fato, fizeram sentido para ela. 

Mas não muito, ao que ela argumentou:

“Então você quer ser imortal... pra isso precisa ser amado e amar, não? E quando nós não amamos nem somos amados?”

“Aí, você não vive, Elizabeth.”

“Bom, eu vivo.”

“Não, você sobrevive. Estou mentindo?”

Elizabeth bufou e respondeu:

“Não, não está. O que devo fazer então, me jogar dessa ponte e por um fim na minha existência vazia?”

“Não, Elizabeth – a jovem disse num tom trivial – Você deve viver. Ou dar uma chance a si mesma e ao outros. Você nunca quis ser imortal. E nunca quis amar alguém. Vejo isso nos seus olhos. Sabe... dê uma chance a si mesma.”

“Tão fácil falar...” – Elizabeth disse num tom sumido. – “Não é nada fácil agir assim.”

“Permita-se tentar alcançar a imortalidade, Elizabeth. Lembre-se disso. Se necessário, olhe para o céu... procure as estrelas, a Lua... ou olhe ao seu redor, e tire suas próprias conclusões, professorinha.”

Elizabeth, a essas palavras, olhou para o céu e viu Canis Major. Ao ver Sirius, deu um belo sorriso. Coisa que não fazia há tempos.

“Talvez você tenha razão... talvez... mas não me lembro de te dizer que era professora.”

Quando não recebeu resposta, Elizabeth olhou para os lados. A jovem já tinha desaparecido.

Ao constatar isso, franziu as sobrancelhas, e olhou novamente para os lados. Então, olhou para cima uma última vez, e resolveu voltar para casa, tendo na cabeça o pensamento de que a jovem, real ou não, faria que, de algum modo, ela desejasse ser imortal.

FIM     

Nota: Canis Major é uma constelação do hemisfério celestial sul. Formada por  Sirius, a estrela mais brilhante no céu noturno e também uma das mais próximas da Terra, Adhara e Mirzam.

P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

24 de fev. de 2011

Crônica/Song text: Wind Of Change

Oi pessoal...
Quem me conhece, sabe que essa semana não foi nada fácil pra mim. E quando eu fico depressiva... bem, saem coisas assim.
Recomendo ouvir a música 'Wind of Change', do Scorpions. Vai encontrá-la no fim desse post. Me influenciou de todas as maneiras possíveis.
Aliás, para os familiarizados com o mundo do fanfiction, esse texto é uma quase songfic XD
É isso, não esqueçam de comentar!


Wind Of Change


I follow the Moskva
Down to Gorky Park
(Eu sigo o Moskva
Até o Parque Gorky)

Olhos fixos no tudo, ou no nada; olhos esses, marejados enquanto ela sente seu corpo arrepiar-se, ao ver-se diante dos ventos da mudança.

Listening to the wind of change
(Escuto o vento da mudança)

Não é a primeira vez que eles passam por sua vida. Desde sempre ela o sentia, chegando e mudando tudo. Mas sem dúvidas, essa vez fora a mais devastadora.

Take me to the magic of the moment
On a glory night
(Leve-me à magia do momento
Numa noite de glória) 

Ao perceber sua chegada e sua impotência, ela sempre chorava.
Não fora diferente dessa vez.

Where the children of tomorrow dream away (Dream away)
In the wind of change
(Onde as crianças de amanhã sonharão
Com o vento da mudança)
 
Os ventos da mudança trouxeram mais que mudança. Dessa vez, eles trouxeram também decepção em excesso, medo e um ódio irreversível. Imutável.

Walking down the street
Distant memories
Are buried in the past forever
(Caminhando pela rua
Recordações distantes
Enterradas no passado, para sempre)

A garrafa toca seus lábios, mas a bebida não tem o gosto de sempre. O único gosto que ela possui é o de consolo, que ela não quer e não irá buscar em outra pessoa.
Por que os ventos da mudança e suas conseqüências são problemas dela, que teima em sustentá-los sozinha.

Let your balalaika sing
What my guitar wants to say
(Deixe sua Balalaika cantar
O que meu violão quer dizer)

E ela está tão perdidamente confusa, e desolada. Sem a menor idéia sobre o que fazer ou pensar. É por isso que as lágrimas disfarçadamente deslizam por seu rosto.
Por que ela descobriu o real significado de estar perdida.

Like a storm wind that will ring
The freedom bell for peace of mind
(Como uma tempestade que tocará
A sino da liberdade para a paz da mente)

Mas no fundo, ela sabe como tudo vai acontecer. Sabe que ela vai enxugar as lágrimas, guardar a bebida e por um sorriso triste no rosto.
Porque quando os ventos da mudança chegam, só lhe resta tentar viver com o que as conseqüências trouxeram.
Como ela sempre fez.

In the wind of change
(Com o vento da mudança)

 Fim


P.S: se você gostou do texto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.




20 de fev. de 2011

Poema - I Don't Need You

Oi gente...
Esse é um poema meu, que por milagre não destruí. Não escrevo muitos poemas, então ficarei contente com os comentários que vocês podem vir a fazer sobre a qualidade dele (:

I Don't Need You


Eu não preciso de você.
Sim, eu não preciso de você.

Eu não preciso dos seus sorrisos,

Eu não preciso dos seus carinhos;

Eu não preciso de suas palavras doces

E eu não preciso dos teus lábios tentadores.

Não, eu não preciso de você.

Eu não preciso da luz radiante que sai de seus olhos quando você está feliz;

Eu não preciso dos seus abraços reconfortantes;
Eu não preciso de sua amizade quase irritante,
E definitivamente, eu não preciso do seu amor tão sincero e quase sufocante.
É, eu não preciso de você.
Mas eu quero você.
Eu quero você, sem pudores ou desculpas esfarrapadas;
Eu quero ser o motivo de seus sorrisos,
E a destinação de seus carinhos;
Eu quero que dedique a mim suas palavras doces
E eu quero sentir o gosto dos teus lábios tentadores.
Sim, eu quero você.
Eu quero contemplar diariamente a luz radiante de seus olhos quando está feliz;
E eu quero sentir o calor protetor dos seus abraços reconfortantes.
Eu quero que sua amizade irritante seja toda minha
E mais que tudo, eu quero receber e ofertar um amor tão sincero e quase sufocante.
Não, eu não preciso de você.
Mas eu quero você.

Fim
P.S: se você gostou do poema e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas. 

10 de fev. de 2011

Crítica: Hedwig And The Angry Inch (Filme)

Hedwig And The Angry Inch


Hoje irei falar de um musical que assisti recentemente, por indicação de uma amiga. Vi sem ter muitas expectativas, mas quando o filme terminou, estava completamente apaixonada pelo que tinha acabado de ver.


Hansel é um jovem que mora em Berlim Ocidental e que sonha em se tornar uma grande estrela do rock nos Estados Unidos. Até que ele conhece um belo americano que lhe promete amor e liberdade e que pode fazer com que todos os seus sonhos se tornem reais.. Mas para ir para os Estados Unidos juntamente com ele Hansel precisará fazer uma operação de mudança de sexo, pois somente assim com ele poderá se casar. Assim nasce Hedwig (John Cameron Mitchell), que chega a Kansas no mesmo dia em que o Muro de Berlim é derrubado. 


Essa pode ser considerada a introdução a história de Hedwig: Rock, Amor e Traição (do Original: Hedwig And The Angry Inch - eu odeio títulos brasileiros), mas esse filme de 2001, que conta com a direção, atuação e roteiro de John Cameron Mitchell, é muito mais do que isso; essa adaptação da peça homônima do circuito off-Broadway é uma verdadeira obra prima.


O filme começa nos apresentando a Hedwig onde ela mais brilha: no 'palco'. Logo na primeira música ('Tear Me Down'), já ficamos familiarizados com as comparações entre Hedwig e o muro de Berlim, fato que pode ser interpretado de diversas maneiras. 


Depois que o furacão Hedwig nos é apresentado, vamos conhecendo-a aos poucos e descobrindo sua estranha história de vida; os flashbacks (geralmente contados pela própria Hedwig), vão mostrando todos os acontecimentos, traumas e desafios que Hedwig passou desde sua infância. Tudo sempre ao ritmo de um excelente rock 'n' roll, com pitadas de glam e punk rock.




Difícil descrever o desempenho de John Cameron Mitchell. Intenso talvez seja uma palavra adequada. Mas melhor dizer que foi brilhante. Sua entrega completa ao personagem é notável, seja através das canções ou das cenas de Hedwig com seus amigos e 'amores'.


A presença de Michael Pitt como Tommy Gnost também é algo que deve ser destacado. O personagem tem uma importância fundamental na história, que não contarei pra não estragar a surpresa de ninguém.


A fotografia e o figurino de Hedwig and The Angry Inch, como aparentam, são realmente de tirar o fôlego. Belos, exuberantes, extravagantes; exagerados e intensos como a própria Hedwig. Destaque pra belíssima sequencia de 'The Origin Of Love', que falarei adiante.


John Cameron Mitchell e Michael Pitt como Hedwig e Tommy Gnost, respectivamente.


Agora, acho que todos o assistirem irão concordar que o maior trunfo do filme é sua trilha sonora. Ele não possui músicas de outros cantores; são em maioria original (Hedwig até cantarola 'Walk On The Wild Side' de Lou Reed, mas não passa muito disso), e com letras e melodias brilhantes. Tem as mais vibrantes tais quais 'Tear me Down', e 'Angry Inch' (canção que leva o nome do filme, e que não existe melhor maneira de definir senão genial), e as mais sentimentais, tal qual 'Wicked Little Town', 'The Origin of Love' ( que merece uma ressalva por ser uma das músicas mais brilhantes que escutei na minha vida, com uma letra de tocar o coração), e ainda as divertidas, como 'Sugar Daddy' e 'Wig in a Box'. Completamente apaixonante, acredito que ele e 'Velvet Goldmine' carregam o título de minhas trilhas sonoras favoritas.


É difícil falar de Hedwig sem entregar spoilers e comprometer quem vai assistí-lo: então, pra que palavras quando temos uma música como essa?




Se depois dessa música ficarem com vontade de assistir o filme, eu baixei de um blog e upei para vocês, poderão baixá-lo pelos seguintes links:


DOWNLOAD DO FILME (RMVB)


Download pelo Deposit Files 
Download pelo Hotfile
Download pelo Uploading



2 de fev. de 2011

Crônica - Time Of Your Life

Oi gente (:

Essa é uma pequena crônica que eu escrevi ontem. Escrevi em um impulso, então nem tenho certeza se está muito bom ou não... não esqueçam de comentar ^^
O nome é o mesmo da música do Green Day. Título sugerido pela minha amiguinha linda, a Jennifer *-*
Então, é isso, leiam :D


Time Of Your Life



Às vezes, tudo o que eu mais queria é voltar a ser aquela garotinha de anos atrás.

Algumas pessoas dizem que a infância é o melhor período da vida. E ela de fato é, quando aproveitada da maneira certa. Uma época onde sua maior responsabilidade é arrumar a sua cama, sua maior frustração é não ter aquele brinquedo novo, sua euforia em brincar tem uma felicidade tão genuína e inocente que é notada até pelos adultos a sua volta.

Inocência.

Irrecuperável depois de perdida. Algo que faz uma falta terrível.

Que nos faz desejar tanto ser aquela garotinha de alguns anos atrás!

Pra não ter mais as angústias que atrapalham os dias atuais. Pra não ter mais tantas responsabilidades, tantas preocupações, tantos sentimentos conflitantes, e uma noção tão grande da impotência diante da vida.

Pra não sofrer mais tanto. Pra não sofrer mais sem motivo algum. Pra não sofrer mais com todos os motivos do mundo.

E tudo que eu desejo é ser aquela garotinha de anos atrás.

Mas no fundo, todas as épocas da vida têm seus encantos e seus mistérios, suas marcas únicas e perdidas.

A infância tem sua doçura e inocência incomparáveis; a adolescência tem uma intensidade e impulsividade sem igual, onde a euforia é imensa, e as depressões, profundas. A fase adulta é provavelmente a mais complexa, onde um pouco de cada idade e as características próprias da sua se fundem. A velhice recolhe tudo o que as outras idades viveram, e por isso tem a experiência que nenhuma delas pode oferecer. 


Mas entre todas elas, a infância ainda é a mais invejável.

Porque quando temos idade para aproveitá-la ao máximo, não temos consciência de sua importância. E 
quando percebemos, já a perdemos. Pra sempre.

E nos resta à responsabilidade de crescer. De viver. Estando prontos ou não.

E então, tudo o que você deseja por alguns instantes é ser aquela garotinha de alguns anos atrás.

Para depois pensar que era besteira. Infância não dá status pra ninguém. É só mais uma fase de uma vida que, estando pronta ou não, você tem que viver. Tem que sonhar. Tem que ao menos, tentar.

E com insegurança e um frio na barriga, você vai. Você enfrenta. Você tenta.

Você nunca vai ter a garantia de dar certo ou não. Você vai se decepcionar. Muitas vezes você vai quebrar, 
e terá que recolher sozinha os cacos do chão.

Mas você vai tentar de novo. E é isso que realmente importa.

Não desistir.

Você pode continuar desejando ser aquela garotinha de alguns anos atrás. Ninguém pode te culpar por 
desanimar ou querer dar um tempo.

Você só não pode parar.

Você só não pode deixar de tentar.

Ou você decepcionaria aquela garotinha de alguns anos atrás.

Fim

P.S: se você gostou da crônica e quiser postá-la em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

28 de jan. de 2011

Conto - Tears

Oi gente (:
Então, conto novo na área. Chama-se 'Tears', pois o fiz enquanto ouviu a música do Rush de mesmo nome.
Ele é um formato bem diferente do que costumo fazer, e como só duas pessoas leram, ainda estou meio insegura com ele. Não esqueçam de dizer o que acharam, hein? ;)


Tears

Ele sente que poderia dar a sua vida por ela.

Ela sente que ele é todas as respostas que ela sempre procurou.

Ele sente que era apenas metade de alguém antes de encontrá-la.

Ela sente que ele é a metade de sua alma que um dia, antes de nascer, ela perdeu por aí.

Ele sente um amor tão profundo por ela que o faz ter vontade de chorar por depender tanto assim de alguém.

Ela sente-se completamente desamparada com um sentimento tão intenso e inexplicável como este.

Mas ele sabe que não é perfeito e sempre teve um talento especial para acabar com a sua felicidade.

Ela sabe que é geniosa e diz coisas que magoam a um nível irrecuperável.

Ele sabe que em um momento de fraqueza a traiu, machucando-a da pior maneira possível.

Ela sabe que falou as palavras mais cruéis que podiam existir para ele. E por mais que sofra não se arrepende disso.

Ele chora.

Ela chora.

Suas lágrimas se misturam. E eles não sabem mais porque ainda fazem isso.

O que não os impede de continuar.

Porque apesar de ser parte um do outro, eles sabem que não podem ficar juntos.

Porque simplesmente não vai ser a mesma coisa.

Nunca mais.

Ele vai estar sempre na defensiva, esperando um novo ataque dela.

Ela vai estar sempre em posição de ataque, procurando novos vestígios de traição.

Ele sabe que tudo mudou.

Ela sabe que nada poderia ser de novo igual.

Eles sabem que algo se quebrou entre eles.

Pra sempre.

Ele sabe que ela o ama.

Ela sabe que ele o ama.

E isso realmente não importa mais pra eles.

Fim

P.S: se você gostou do conto e quiser postá-lo em algum lugar, fico lisonjeada. MAS antes disso, fale comigo e quando eu liberar, poste os créditos, ou teremos problemas.

24 de jan. de 2011

Crítica - Velvet Goldmine (Filme)

Velvet Goldmine



Começando a sessão de críticas cinematográficas daqui, dificilmente poderia ser outro filme além de Velvet Goldmine. Quem me conhece sabe que sou ligeiramente obcecada por esse filme, então não podia ser diferente.

Pra começar, acho que é bom frisar que Velvet Goldmine não é um filme para todos. Pode parecer confuso, chato ou musical demais; mas se você gostar do estilo, será um filme inesquecível. O longa dirigido por Todd Haynes conta a história do astro de Glam Rock, Brian Slade (Jonathan Rhys Meyers), que nos anos 70, encenou sua morte no palco. 10 anos depois, o jornalista Arthur Stuart (Christian Bale), um antigo fã de Slade, é contratado para descobrir o paradeiro do astro desaparecido. Para isso, investiga o passado com pessoas que conviveram com Brian, tais sua esposa, Mandy Slade (Tony Collete), e Curt Wild, amante de Brian (Ewan Mc Gregor).

Aí começa o desenrolar da história. Contada em flashbacks, misturando a história de Brian com a do próprio Arthur, nós vamos aos poucos descobrindo toda a maravilhosa história que se esconde, e descobrimos o mundo do Glam Rock, que nos anos 70, revolucionou o mundo. 

E como sendo o Glam Rock o tema do filme, ele acaba de certa forma imitando a vida real. É impossível não relacionar Brian Slade com David Bowie, astro principal do Glam Rock, já que muitas passagens da vida de Bowie foram passadas a Brian. E impossível não reconhecer em Curt Wild os rockeiros Iggy Pop e Lou Reed, com também vários fatos da vida desses, e ambos foram apontados como amantes de David Bowie, mesmo que seja negado por ambos.
 
Essa mescla de fatos reais e fictícios dão a Velvet Goldmine o status de uma biografia fictícia, sendo que ao mesmo tempo, conta e não conta a história, sendo esse o mais marcante mérito do filme. Foi um trunfo e tanto colocar Oscar Wilde como o primeiro popstar, e suas constantes referências no filme são deliciosas.



Os atores estão muito bem nos filme. Jonathan Rhys Meyers faz um excelente Brian Slade; você nunca sabe ao certo o que Brian está pensando. E os toques de paixão, frieza e determinação do personagem estão completamente marcantes. 

Ewan Mc Gregor está perfeito, a mais apaixonante atuação do filme. Sua energia é vibrante para dar vida ao intenso personagem Curt Wild. E as cenas que demonstram a relação dos dois personagens, como o beijo com citação de Oscar Wilde e o passeio no parquinho ao som de Satellite of Love são marcantes e deliciosas.



Christian Bale faz um Arthur Stuart razoável, que cumpre bem seu papel no filme. Tony Collete está fabulosa como a mulher de Brian, demonstrando os controversos sentimentos de sua personagem.

A direção de Todd Haynes é totalmente impecável. Ele deixa o espectador confuso, e vai guiando através de um caminho que na maioria das vezes, causará muita surpresa a quem assiste o filme.
 
Fotografia linda e contrastante. Nos anos 70, um imenso colorido, que abusa de tons verdes e vermelhos sem nenhum dó, entre outras cores extravagantes. E nos anos 80, uma fotografia mais acinzentada e escura, como se para deixar bem claro a diferença entre as décadas.
 
Figurino igualmente belo e exuberante. As espalhafatosas e chamativas cores do Glam Rock, seus modelos ousados e andróginos estão no filme de todas as maneiras possíveis.
 
A trilha sonora é um dos pontos altos do filme, senão o mais marcante. Vários sucessos do Glam Rock na trilha, alguns covers, e outras em sua gravação original, farão aqueles fãs do gênero cantarolar elas seguidamente. No filme, pode-se reconhecer muitas músicas de Roxy Music, algumas de The Stooges, T. Rex, Lou Reed. Além dos covers regravados pelas bandas formadas especialmente para o filme, a The Venus in Furs e a Wylde Rattz. A falta mais marcante é a do próprio David Bowie, já que ele não autorizou suas músicas no filme. Mas mesmo assim, a trilha demonstra bem o som do Glam Rock, com perfeição.

Se você gosta de filmes diferentes, gosta de filme com a história do rock e primordialmente, gosta de cinema, Velvet Goldmine é um filme indispensável em sua lista.


TRAILER:

                                                                                          

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